{"id":20873,"date":"2026-03-16T13:35:30","date_gmt":"2026-03-16T16:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/alice.com.br\/blog\/?p=20873"},"modified":"2026-04-15T14:18:07","modified_gmt":"2026-04-15T17:18:07","slug":"sono-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alice.com.br\/blog\/ala-medica\/sono-medicos\/","title":{"rendered":"Priva\u00e7\u00e3o de sono pode aumentar o risco de erro cl\u00ednico em m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<html><body><p>Profissionais de sa&uacute;de com alta priva&ccedil;&atilde;o de sono t&ecirc;m at&eacute; o dobro do risco de relatar um erro cl&iacute;nico. O dado vem de um estudo que acompanhou mais de 11 mil m&eacute;dicos e foi publicado pela <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamanetworkopen\/fullarticle\/2773777\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista cient&iacute;fica JAMA<\/a>, em 2020.<\/p>\n<p>No grupo analisado, 16% dos m&eacute;dicos em treinamento e 7,5% dos assistentes relataram ter cometido um erro m&eacute;dico com dano ao paciente no ano anterior ao da realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa. O estudo tamb&eacute;m mostrou que quanto maior o comprometimento relacionado ao sono, maior o risco de erros.<\/p>\n<p>Para quem vive na linha de frente do cuidado, o sono costuma ser o primeiro item a ser sacrificado. A l&oacute;gica parece inevit&aacute;vel, j&aacute; que a prioridade &eacute; o paciente e o descanso fica para depois. Mas o corpo n&atilde;o costuma aceitar essa negocia&ccedil;&atilde;o por muito tempo.<\/p>\n<p>Mariane Yui, especialista em medicina do sono e m&eacute;dica da Alice, lembra que essa rela&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a cedo.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;A quest&atilde;o do sono na medicina come&ccedil;a ainda na faculdade. Na minha &eacute;poca de resid&ecirc;ncia, n&atilde;o existia per&iacute;odo de descanso no p&oacute;s-plant&atilde;o. Hoje isso est&aacute; mais humanizado em alguns lugares, mas ainda acontece de o m&eacute;dico trabalhar a noite inteira e, no dia seguinte, seguir com consult&oacute;rio, cirurgias ou outros atendimentos. Na pr&aacute;tica, muitos acabam realmente privados de sono&rdquo;, explica Yui, que tamb&eacute;m &eacute; especialista em otorrinolaringologia.<\/p><\/blockquote>\n<p>Parte do problema, segundo ela, est&aacute; na organiza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria carreira, com plant&otilde;es noturnos, cirurgias longas e jornadas muito fragmentadas. Mas existe tamb&eacute;m um componente cultural que sustenta tudo isso.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;Ainda persiste a ideia de que o sono &eacute; algo secund&aacute;rio, e que &eacute; poss&iacute;vel negligenciar. Enquanto as pessoas s&atilde;o jovens, muitas sentem que conseguem levar a vida assim. Mas, com o tempo, o corpo cobra.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<h2>Muito al&eacute;m do cansa&ccedil;o<\/h2>\n<p>A falta de descanso n&atilde;o se limita &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o de fadiga. Ela atravessa o racioc&iacute;nio, a mem&oacute;ria, o humor e, como o estudo acima mostra, a seguran&ccedil;a de quem est&aacute; sendo cuidado.<\/p>\n<p>Uma revis&atilde;o publicada no <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/08998280.2005.11928045?utm\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Baylor University Medical Center Proceedings<\/a> ajuda a dimensionar o cen&aacute;rio. As jornadas m&eacute;dicas frequentemente variam entre 60 e 90 horas semanais, com consequ&ecirc;ncias que incluem piora na mem&oacute;ria, cogni&ccedil;&atilde;o mais lenta, menor aprendizado e capacidade de resolver problemas.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;Uma pessoa que n&atilde;o dorme bem por muito tempo tem a aten&ccedil;&atilde;o comprometida. Fica muito mais dif&iacute;cil pensar quando se est&aacute; cansado. Ela tamb&eacute;m tende a ficar mais irritada, mais sens&iacute;vel aos estressores do dia a dia, pode ter menos toler&acirc;ncia &agrave;s queixas dos pacientes e sentir menos empatia&rdquo;, resume a especialista em sono.<\/p><\/blockquote>\n<p>H&aacute; ainda um aspecto pouco discutido, que s&atilde;o os efeitos da priva&ccedil;&atilde;o de sono para al&eacute;m dos consult&oacute;rios, cl&iacute;nicas e hospitais. Estudos mostram uma associa&ccedil;&atilde;o entre a fadiga e acidentes, inclusive no deslocamento ap&oacute;s jornadas prolongadas.<\/p>\n<h2>Dormir bem n&atilde;o &eacute; bater meta de horas<\/h2>\n<p>Quando o assunto chega &agrave; pr&aacute;tica, a pergunta mais comum &eacute;: quantas horas s&atilde;o suficientes? A resposta &eacute; menos direta do que parece.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; importante separar a quantidade de horas e a qualidade do sono. S&atilde;o aspectos diferentes&rdquo;, explica Yui.<\/p>\n<p>A maior parte da popula&ccedil;&atilde;o precisa entre sete e oito horas para acordar restaurada, mas existe uma variabilidade biol&oacute;gica real. H&aacute; dormidores curtos, que funcionam bem com at&eacute; seis horas, e dormidores longos, que precisam de dez horas ou mais. E mesmo quem atinge a &ldquo;meta&rdquo; pode acordar esgotado se o sono for fragmentado.<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;A pergunta mais importante &eacute;: quantas horas voc&ecirc; precisa dormir para acordar restaurado e se sentir bem ao longo do dia?&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<h2>Sono regula processos essenciais do organismo<\/h2>\n<p>Quando o descanso entra no radar da sa&uacute;de integral, ele deixa de ser apenas um intervalo entre o dia e a noite. A m&eacute;dica usa uma met&aacute;fora para explicar esse papel:<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;O sono &eacute; como o maestro de uma orquestra. Os processos biol&oacute;gicos continuam acontecendo mesmo sem ele, mas ficam descompassados. Quando dormimos bem, tudo funciona de forma mais harmoniosa.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>Durante o sono, o organismo consolida mem&oacute;rias, regula horm&ocirc;nios e realiza uma esp&eacute;cie de limpeza cerebral. O sono tamb&eacute;m contribui para o controle da glicemia, o metabolismo de gorduras e a estabilidade da press&atilde;o arterial.<\/p>\n<p>S&atilde;o processos que, para m&eacute;dicos, t&ecirc;m uma camada extra de significado, j&aacute; que muitos deles est&atilde;o presentes no dia a dia como desfechos que eles precisam cuidar em outras pessoas.<\/p>\n<h2>Como proteger o sono em uma rotina intensa<\/h2>\n<p>A rotina real da medicina nem sempre permite uma higiene adequada do sono. Ainda assim, algumas estrat&eacute;gias ajudam a reduzir o impacto.<\/p>\n<p>&ldquo;O sono &eacute; um dos pilares da medicina do estilo de vida e n&atilde;o depende apenas da noite. Ele &eacute; resultado de tudo o que fazemos ao longo do dia&rdquo;, lembra a especialista.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Manter regularidade sempre que poss&iacute;vel.<\/strong> Hor&aacute;rios consistentes para dormir e acordar ajudam o organismo a preservar seu ritmo biol&oacute;gico, mesmo em semanas com plant&otilde;es.<\/li>\n<li><strong>Reservar tempo para recupera&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s plant&otilde;es.<\/strong> Sempre que a agenda permitir, um per&iacute;odo de descanso ap&oacute;s uma noite de trabalho faz diferen&ccedil;a real na recupera&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<li><strong>Usar estimulantes com cautela.<\/strong> A cafe&iacute;na pode ajudar momentaneamente, mas o consumo excessivo (especialmente &agrave; tarde) atrapalha o sono da noite seguinte.<\/li>\n<li><strong>Cuidar da alimenta&ccedil;&atilde;o e do movimento.<\/strong> A priva&ccedil;&atilde;o de sono aumenta a vontade por carboidratos e alimentos estimulantes. Uma alimenta&ccedil;&atilde;o equilibrada e atividade f&iacute;sica regular ajudam a reduzir esse impacto.<\/li>\n<li><strong>Conhecer o pr&oacute;prio cronotipo.<\/strong> Saber se voc&ecirc; &eacute; mais matutino ou vespertino &mdash; e quantas horas realmente precisa dormir &mdash; &eacute; um ponto frequentemente negligenciado. &ldquo;Isso pode at&eacute; influenciar escolhas dentro da carreira m&eacute;dica&rdquo;, diz Mariane.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Priorizar o sono &eacute; parte do cuidado<\/h2>\n<p>Durante muito tempo, dormir pouco foi lido como sinal de dedica&ccedil;&atilde;o. A ci&ecirc;ncia vem mostrando o contr&aacute;rio: quando o sono desaparece da rotina, o desempenho, a sa&uacute;de e a seguran&ccedil;a come&ccedil;am a se deteriorar junto.<\/p>\n<p>Para m&eacute;dicos, cuidar do pr&oacute;prio sono n&atilde;o &eacute; apenas autocuidado. &Eacute; tamb&eacute;m uma forma de preservar o racioc&iacute;nio cl&iacute;nico, o equil&iacute;brio emocional e a capacidade de continuar cuidando de outras pessoas.<\/p>\n<html><body><div class=\"cta cta--post--slim_withlogo\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/alice.com.br\/\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"logo\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img src=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/themes\/arada\/dist\/images\/alice.svg\" width=\"288\" height=\"150\" aria-label=\"hidden\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"title\">Conhe&ccedil;a a Alice<\/span><span class=\"icon icon--arrow_right\"><\/span><\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div><\/body><\/html><\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde a resid\u00eancia, o sono virou o primeiro sacrif\u00edcio da carreira na medicina. 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