{"id":2940,"date":"2021-11-02T20:07:00","date_gmt":"2021-11-02T20:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.alice.com.br\/?p=2940"},"modified":"2025-08-21T11:20:14","modified_gmt":"2025-08-21T14:20:14","slug":"mulheres-na-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/mulheres-na-ciencia\/","title":{"rendered":"Mulheres na Ci\u00eancia: 11 hist\u00f3rias de profissionais para se inspirar"},"content":{"rendered":"<html><body><p>A pesquisa &eacute; um espa&ccedil;o que instiga a descoberta do novo com o prop&oacute;sito de fazer a diferen&ccedil;a na sociedade. Por meio da ci&ecirc;ncia, seja ela social, exata ou biol&oacute;gica, os profissionais buscam compreender as quest&otilde;es do nosso tempo, ou aprender com o passado, para entender as nossas necessidades.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas e quando esse espa&ccedil;o n&atilde;o tem&nbsp;acesso liberado por conta do seu g&ecirc;nero, por exemplo, o que pode ser feito?&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A presen&ccedil;a de mulheres na ci&ecirc;ncia, principalmente em &aacute;reas relacionadas &agrave; sa&uacute;de, por algum tempo, foi bastante limitada.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ainda hoje, a desigualdade de g&ecirc;nero na pesquisa e na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento assusta: <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000264691\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o (Unesco)<\/a>, apenas 30% dos cientistas do mundo se identificam com o g&ecirc;nero feminino.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&Eacute; justamente por isso que, neste<strong> Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci&ecirc;ncia<\/strong>, te convidamos a olhar para o passado e reconhecer o nosso presente para reverenciar 11 profissionais que constru&iacute;ram um legado transformador por meio de seus trabalhos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figure class=\"wp-attachment-7911\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"889\" height=\"500\" class=\"wp-image-7911\" src=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes.jpg\" alt=\"Fotos de Mamie Phipps Clark, Ester Sabino e Rita Lobato Velho Lopes\" srcset=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes.jpg 889w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes-300x169.jpg 300w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes-768x432.jpg 768w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes-100x56.jpg 100w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Mamie-Phipps-Clark-Ester-Sabino-e-Rita-Lobato-Velho-Lopes-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px\"><\/figure><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mamie Phipps Clark<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Antes de se tornar a primeira mulher afro-americana com doutorado em psicologia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Mamie Phipps Clark, nascida em outubro de 1917, em Hot Spring, foi afetada pelo acesso desigual &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Do ensino b&aacute;sico ao m&eacute;dio, Clark estudou em escolas segregadas, que separavam alunos negros dos brancos. No ensino superior, Mamie conquistou uma bolsa para estudar matem&aacute;tica e f&iacute;sica na Universidade de Howard.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por outro lado, o amor tamb&eacute;m se fez presente naquele lugar, j&aacute; que a pesquisadora conheceu Kenneth B. Clark, estudante de mestrado em psicologia que se tornou seu marido e pai dos seus filhos, Kate e Hilton.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Kenneth foi o respons&aacute;vel por apresentar Mamie &agrave; psicologia. Assim como o marido, a cientista concluiu o bacharelado e mestrado na &aacute;rea.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A pesquisa que cravou o nome Clark na hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia nasceu da sua tese de mestrado. Nela, a pesquisadora analisou o impacto da representatividade em brinquedos utilizados por crian&ccedil;as negras na fase da pr&eacute;-escola.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para entender a rela&ccedil;&atilde;o, alunos negros foram apresentados a duas bonecas id&ecirc;nticas, sendo uma branca e outra negra.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A prefer&ecirc;ncia entre a representa&ccedil;&atilde;o branca fez com que a pesquisadora apontasse que as crian&ccedil;as &ldquo;tornaram-se conscientes de sua identidade racial por volta dos tr&ecirc;s anos de idade e &ndash; simultaneamente com sua consci&ecirc;ncia da identidade racial &ndash; adquiriram uma autoimagem negativa.&rdquo;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O experimento social proporcionou resultados que ultrapassaram o espa&ccedil;o acad&ecirc;mico, como a decis&atilde;o da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso <a href=\"https:\/\/encyclopediaofarkansas.net\/entries\/mamie-katherine-phipps-clark-2938\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"><em>Brown v. Board of Education of Topeka<\/em><\/a>, em 1954.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nessa ocasi&atilde;o, os ju&iacute;zes passaram a considerar inconstitucional as divis&otilde;es raciais de estudantes brancos e negros nas escolas p&uacute;blicas do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, em 1951, ap&oacute;s a provoca&ccedil;&atilde;o de Mamie, a Sara Lee, primeira boneca negra produzida em larga escala, ganhou as prateleiras das lojas dos EUA.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A pesquisa do mestrado de Clark foi aprofundada em seu PhD na Universidade de Columbia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao lado de Kenneth, o estudo voltado para o acompanhamento psicol&oacute;gico de crian&ccedil;as que pertencem a grupos minorit&aacute;rios ganhou mais um bra&ccedil;o, o Centro de Desenvolvimento Infantil de Northside, que oferecia servi&ccedil;os psicol&oacute;gicos e de assist&ecirc;ncia social &agrave;s fam&iacute;lias do Harlem, bairro de Nova York.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 11 de agosto de 1983, a especialista morreu dentro de sua casa em Nova Iorque, mas seu legado segue atual e necess&aacute;rio n&atilde;o s&oacute; na psicologia, como na no&ccedil;&atilde;o de igualdade racial da sociedade como um todo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ester Sabino<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ap&oacute;s 48 horas da confirma&ccedil;&atilde;o dos&nbsp; primeiros casos de covid-19 em S&atilde;o Paulo, a equipe liderada pela m&eacute;dica e imunologista Ester Sabino, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) junto aos pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, j&aacute; havia publicado os genomas completos dos v&iacute;rus que foram identificados nos pacientes.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O profissionalismo de Ester e da sua equipe de pesquisadores da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e do Instituto Adolfo Lutz garantiu passos largos e urgentes na corrida pela vida durante a pandemia. O mapeamento &aacute;gil do v&iacute;rus impactou no tempo que a vacina chegou no bra&ccedil;o, nas possibilidades de tratamento e na forma de testagem, por exemplo.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ester nasceu em S&atilde;o Paulo, em 1960, onde tamb&eacute;m concentrou seus estudos. Na USP, em 1984, ela se formou em medicina e, na sequ&ecirc;ncia, fez doutorado na institui&ccedil;&atilde;o em imunologia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Atualmente, a profissional trabalha como professora da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo e &eacute; pesquisadora do Laborat&oacute;rio de Parasitologia M&eacute;dica. Al&eacute;m do <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/por-que-vacinar-contra-coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coronav&iacute;rus<\/a>, Ester dedica as suas pesquisas a outras doen&ccedil;as, como a de Chagas e anemia falciforme.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em mar&ccedil;o de 2021, a cientista teve o seu trabalho reconhecido e homenageado pelo Conselho Universit&aacute;rio da USP, que concedeu &agrave; pesquisadora a maior honraria da institui&ccedil;&atilde;o, a medalha Armando de Salles Oliveira.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al&eacute;m disso, em 2022, uma nova premia&ccedil;&atilde;o voltada para as mulheres na ci&ecirc;ncia foi criada com o nome da professora.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico do Estado de S&atilde;o Paulo e Academia de Ci&ecirc;ncias do Estado de S&atilde;o Paulo, o Pr&ecirc;mio Ester Sabino vai homenagear as profissionais nas categorias de pesquisadoras s&ecirc;nior e j&uacute;nior.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rita Lobato Velho Lopes<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foi ao acompanhar a morte da m&atilde;e no parto do seu irm&atilde;o que Rita Lobato Velho Lopes decidiu estudar medicina. O detalhe &eacute; que, na &eacute;poca, nenhuma outra mulher havia se formado na &aacute;rea no Brasil, mas isso n&atilde;o foi impeditivo para ela, como consta nos registros da <a href=\"https:\/\/cparq.ufba.br\/acervo\/dra-rita-lobato-velho-lopes-1a-medica-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Universidade Federal da Bahia<\/a>.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nascida na cidade de Rio Grande, no&nbsp;Rio Grande do Sul, em 1866, Rita Lobato teve a oportunidade de estudar em escolas renomadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No entanto, toda a dedica&ccedil;&atilde;o de Rita para realizar o seu sonho, que tamb&eacute;m era de sua m&atilde;e, s&oacute; foi poss&iacute;vel por conta de um decreto assinado por Dom Pedro II, em 1879, que proibia que mulheres fossem discriminadas no ensino superior.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com isso, o seu pai, Francisco Lobato Lopes, mudou-se para o Rio de Janeiro com os 13 filhos. Em 1884, ele matriculou Rita Lobato e seu outro filho, Ant&ocirc;nio, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A institui&ccedil;&atilde;o precisou ser abandonada por eles ap&oacute;s um conflito entre Ant&ocirc;nio com a dire&ccedil;&atilde;o. Os irm&atilde;os se mudaram para a Bahia, onde deram continuidade aos estudos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por conta do bom desempenho, Rita reduziu o per&iacute;odo de seis anos de dura&ccedil;&atilde;o para tr&ecirc;s e concluiu o curso com a tese &ldquo;Paralelo entre os m&eacute;todos preconizados na opera&ccedil;&atilde;o cesariana&rdquo;.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como aponta o livro <a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=XtI7AAAACAAJ&amp;dq=yvonne+capuano&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwilycjmgfPeAhXJgJAKHWBzANIQ6AEIQDAD\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"><em>&ldquo;Matris Anima Curant: as pioneiras m&eacute;dicas, Maria Augusta Estrela e Rita Lobato&rdquo;<\/em><\/a><em>,<\/em> de Yvonne Capuando, a&nbsp; escolha do tema gerou desconforto na classe m&eacute;dica que seguia uma linha mais conservador e desconsiderava a rela&ccedil;&atilde;o das pacientes mulheres com o pr&oacute;prio corpo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No entanto, a pesquisadora defendia a sua linha de estudo e atendimento.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Rita dedicou sua vida &agrave; medicina, atendendo pacientes em consultas particulares, mas tamb&eacute;m gratuitas para as que n&atilde;o tinham condi&ccedil;&otilde;es financeiras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 1925, ela decidiu aposentar-se e, um ano depois, o seu marido faleceu.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nesta mesma &eacute;poca, a pesquisadora se aproximou do movimento feminista, da luta pelo direito das mulheres ao voto e, posteriormente, da pol&iacute;tica partid&aacute;ria.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 1934, a m&eacute;dica foi eleita a primeira mulher vereadora de Rio Pardo, mas teve seu mandato interrompido pelo Estado Novo de Get&uacute;lio Vargas.&nbsp;A m&eacute;dica faleceu em 1954 aos 87 anos de idade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figure class=\"wp-attachment-7913\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"889\" height=\"500\" class=\"wp-image-7913\" src=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri.jpg\" alt=\"Fotos de Fran&ccedil;oise Barr&eacute;-Sinoussi, Nise da Silveira e Ana N&eacute;ri\" srcset=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri.jpg 889w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri-300x169.jpg 300w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri-768x432.jpg 768w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri-100x56.jpg 100w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Francoise-Barre-Sinoussi-Nise-da-Silveira-e-Ana-Neri-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px\"><\/figure><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fran&ccedil;oise Barr&eacute;-Sinoussi<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A parisiense Fran&ccedil;oise Barr&eacute;-Sinoussi j&aacute; sinalizava seu interesse pela ci&ecirc;ncia ainda na inf&acirc;ncia, quando passava horas analisando o comportamento de insetos e animais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No momento de ingressar na faculdade, o curso de medicina era sua primeira escolha, mas o receio do investimento financeiro e de tempo a afastou dessa decis&atilde;o, como explicou em <a href=\"https:\/\/www.nobelprize.org\/prizes\/medicine\/2008\/barre-sinoussi\/biographical\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">entrevista ao Pr&ecirc;mio Nobel<\/a>, em 2008. Para sorte da ci&ecirc;ncia biol&oacute;gica, Barr&eacute;-Sinoussi optou por sua segunda op&ccedil;&atilde;o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No segundo ano da universidade, em 1970, Barr&eacute;-Sinoussi foi aceita no Instituto Pasteur e tornou-se PhD em 1975, mesma &eacute;poca em que passou a dedicar grande parte do seu estudo para o retrov&iacute;rus, grupo de v&iacute;rus de RNA que, quando replicados, formam o DNA.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 1983, ao lado do cientista Luc Montaigner, a virologista descobriu o HIV, que ainda n&atilde;o recebia esse nome. Com o seu pr&oacute;prio laborat&oacute;rio no Instituto Pasteur, Barr&eacute;-Sinoussi ganhou cada vez mais relev&acirc;ncia com a sua contribui&ccedil;&atilde;o para a comunidade cient&iacute;fica mundial no combate &agrave; AIDS.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com a nomea&ccedil;&atilde;o para integrar a Academia Francesa de Ci&ecirc;ncias e a presid&ecirc;ncia da Sociedade Internacional de AIDS, a virologista se aposentou em 2017. O seu trabalho segue como refer&ecirc;ncia e eternizado pelo Pr&ecirc;mio Nobel de Medicina.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nise da Silveira<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Filha de uma pianista e um matem&aacute;tico, Nise da Silveira trilhou um caminho de refer&ecirc;ncia&nbsp; na psiquiatria. A alagoana, nascida em 1906, teve uma viv&ecirc;ncia solit&aacute;ria do ponto de vista de g&ecirc;nero na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1921. Dos 158 alunos, Nise era a &uacute;nica mulher, o que n&atilde;o fez a pesquisadora esmorecer.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ap&oacute;s a faculdade, Nise passou em um concurso p&uacute;blico do Servi&ccedil;o de Assist&ecirc;ncia a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A oportunidade, no entanto, foi cen&aacute;rio de um grande conflito na vida da m&eacute;dica. Nise acabou sendo presa ap&oacute;s uma enfermeira denunciar a presen&ccedil;a de um livro de Karl Marx em sua mesa. O objeto de estudo foi rotulado como amea&ccedil;a comunista.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo livro <a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/pontourbe\/3001\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"><em>&ldquo;Mania de Liberdade&rdquo;<\/em><\/a>, de Felipe Magaldi, Nise passou mais de um ano no pres&iacute;dio Frei Caneca, onde a psiquiatra acabou conhecendo Olga Ben&aacute;rio e Graciliano Ramos, que a mencionou em seu livro &ldquo;Mem&oacute;rias do C&aacute;rcere&rdquo;.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apenas em 1944, Nise p&ocirc;de retomar suas atividades, desta vez, no Centro Psiqui&aacute;trico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O retorno aos atendimentos acentuou a batalha que a psiquiatra travava pelo respeito aos pacientes, ou seja, choques el&eacute;tricos e outras formas violentas inseridas no tratamento eram repudiadas por Nise.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No lugar delas, a pesquisadora defendia a aplica&ccedil;&atilde;o da terapia ocupacional, que ganhou uma sess&atilde;o exclusiva na institui&ccedil;&atilde;o em 1946.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Neste tipo de terapia, <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/arte-saude-mental-beneficios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os pacientes se expressavam por meio da arte<\/a> com pinc&eacute;is e tintas. A criatividade tornou-se rem&eacute;dio nos ateli&ecirc;s terap&ecirc;uticos ministrados por Nise, que subvertiam a din&acirc;mica opressora dos antigos manic&ocirc;mios.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As transforma&ccedil;&otilde;es lideradas pela psiquiatra n&atilde;o cessaram. Em 1952, ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, para concentrar a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e preservar obras feitas pelos seus pacientes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quatro anos depois, a pesquisadora inaugurou a Casa das Palmeiras, espa&ccedil;o voltado para a reabilita&ccedil;&atilde;o de pacientes das antigas institui&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em sua trajet&oacute;ria, Nise ainda foi pioneira na inser&ccedil;&atilde;o de cuidados com animais no tratamento de pacientes com transtornos ps&iacute;quicos. A psiquiatra faleceu em 1999, aos 94 anos, e segue sendo um nome expoente no cuidado humanizado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anna N<\/strong>ery<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A convoca&ccedil;&atilde;o de seus filhos, sendo dois m&eacute;dicos e um oficial do ex&eacute;rcito, para atuarem pelo Brasil na Guerra do Paraguai foi motivo de ang&uacute;stia para a baiana <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/pessoas\/quem-foi-anna-nery-icone-da-enfermagem-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anna N<\/a><a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/pessoas\/quem-foi-anna-nery-icone-da-enfermagem-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">e<\/a><a href=\"http:\/\/alice.com.br\/blog\/comportamento\/quem-foi-anna-nery-icone-da-enfermagem-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ry<\/a>. Aos 29 anos, ela j&aacute; era vi&uacute;va e cuidava sozinha dos meninos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por isso, n&atilde;o pensou duas vezes e escreveu uma carta para o presidente da Prov&iacute;ncia da Bahia, o conselheiro Manuel Pinho de Sousa Dantas, colocando-se &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para ajudar nos cuidados dos feridos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pedido aceito, em 1865, Anna viajou para o Rio Grande do Sul para se preparar com as irm&atilde;s da institui&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Vicente de Paulo. Aos 51 anos, ela passou a fazer parte do D&eacute;cimo Batalh&atilde;o de Volunt&aacute;rios e atendeu mais de 6.000 soldados internados com a ajuda de algumas freiras vicentinas.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Driblando a escassez de itens b&aacute;sicos de higiene e primeiros socorros, Anna ainda teve que lidar com a morte de um de seus filhos, Justiniano.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Considerada a primeira enfermeira do Brasil, Anna faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de maio de 1880. A data da sua morte foi escolhida para homenagear o Dia do Enfermeiro. Al&eacute;m disso, o nome da profissional &eacute; usado na primeira escola oficial de enfermagem do Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><figure class=\"wp-attachment-7914\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7914\" src=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela.jpg\" alt=\"Fotos de Marie Curie, Caroline Apovian e Maria Augusta Generoso Estrela\" width=\"840\" height=\"472\" srcset=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela.jpg 889w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela-300x169.jpg 300w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela-768x432.jpg 768w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela-100x56.jpg 100w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Marie-Curie-Caroline-Apovian-e-Maria-Augusta-Generoso-Estrela-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\"><\/figure><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Marie Curie&nbsp;<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No s&eacute;culo 19, Marie Curie ganhou duas vezes o Pr&ecirc;mio Nobel na &aacute;rea da F&iacute;sica e da Qu&iacute;mica, feito in&eacute;dito at&eacute; hoje.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas o caminho at&eacute; esses reconhecimentos foi sinuoso. Filha de professores que esbarravam em dificuldades financeiras na Pol&ocirc;nia, segundo informa&ccedil;&otilde;es do <a href=\"https:\/\/history.aip.org\/exhibits\/curie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Instituto Americano de F&iacute;sica<\/a>, Marie precisou de muito trabalho para conseguir ingressar na faculdade, que na &eacute;poca era proibida para mulheres em seu pa&iacute;s.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foi somente em 1881 que a jovem finalmente teve condi&ccedil;&otilde;es de viajar &agrave; Fran&ccedil;a para come&ccedil;ar o curso de f&iacute;sica, qu&iacute;mica e matem&aacute;tica na Universidade de Paris.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A partir de suas pesquisas, a cientista cunhou o termo e desenvolveu a ideia de &ldquo;radioatividade&rdquo;; identificou dois elementos qu&iacute;micos, o pol&ocirc;nio (em homenagem ao seu pa&iacute;s) e o r&aacute;dio e desenhou t&eacute;cnicas para isolar o &aacute;tomo is&oacute;topo radioativo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esse &uacute;ltimo, inclusive, foi usado como base nos estudos do tratamento de neoplasias, condi&ccedil;&atilde;o que causa o surgimento de tecido anormal em regi&otilde;es do corpo humano.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao lado do parceiro acad&ecirc;mico e marido, Pierre Currie, Marie conquistou o Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica em 1903.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os dois ainda fundaram o Instituto Curie em Paris e um bra&ccedil;o em Vars&oacute;via, centros de pesquisa renomados at&eacute; os dias de hoje. Em 1911, ela ainda conquistou mais um Nobel, mas desta vez de Quim&iacute;ca, ao lado do f&iacute;sico Henri Becquerel.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Marie &eacute; a primeira pessoa na hist&oacute;ria da condecora&ccedil;&atilde;o a receber duas vezes o pr&ecirc;mio e a &uacute;nica a ganhar em campos cient&iacute;ficos distintos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Durante a Primeira Guerra Mundial, a cientista desenvolveu equipamentos de radiografia m&oacute;veis para facilitar o atendimento nas tendas. Em 1934, aos 66 anos, Marie faleceu de anemia apl&aacute;stica, quadro desenvolvido pela intensa exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; radia&ccedil;&atilde;o ao longo do seu estudo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Caroline Apovian<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J&aacute; s&atilde;o 10 livros e mais de 200 artigos assinados pela norte-americana Caroline Apovian, que tem passagem acad&ecirc;mica pela Faculdade Barnard e Escola de Medicina de New Jersey, nos Estados Unidos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A professora e diretora do Centro de Nutri&ccedil;&atilde;o e Controle de Peso do Boston Medical Center &eacute; refer&ecirc;ncia h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas no estudo da <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/historico-familiar-aliado-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obesidade<\/a> e <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/plano-de-saude\/nutricao-alice\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nutri&ccedil;&atilde;o<\/a>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Atualmente, a pesquisadora foca seu interesse acad&ecirc;mico no impacto da mudan&ccedil;a de peso no metabolismo e no tecido adiposo, nas doen&ccedil;as cardiovasculares, no acompanhamento dos pacientes que passaram por cirurgia bari&aacute;trica e no tratamento da obesidade para popula&ccedil;&atilde;o em vulnerabilidade social.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esse &uacute;ltimo item foi inserido por Caroline no Centro de Nutri&ccedil;&atilde;o e Controle de Peso ap&oacute;s assumir a dire&ccedil;&atilde;o. A professora defende que, independente de etnia e classe socioecon&ocirc;mica, pessoas obesas t&ecirc;m o direito de receber atendimento de qualidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/34569273\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Em seus artigos<\/a>, Apovian aponta caminhos pr&aacute;ticos e acess&iacute;veis para as pessoas encontrarem mais qualidade de vida e preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as por meio da <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/como-montar-plano-alimentar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alimenta&ccedil;&atilde;o<\/a>.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m&eacute;dica ainda fundou o Conselho Americano de Medicina da Obesidade, que &eacute; respons&aacute;vel por certificar e treinar especialistas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Maria Augusta Generoso Estrela<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A coragem e o &iacute;mpeto de salvar as pessoas acompanhavam a carioca Maria Augusta Generoso Estrela desde sua adolesc&ecirc;ncia, conforme &eacute; revelado em sua biografia no <a href=\"https:\/\/www.academiamedicinasaopaulo.org.br\/biografias\/91\/BIOGRAFIA-MARIA-AUGUSTA-GENEROSO-ESTRELA.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">site da Academia de Medicina de S&atilde;o Paulo<\/a>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Aos 13 anos, em 1873, depois de um semestre de estudo em Portugal, o navio Flamsteed que a trazia de volta ao Brasil sofreu uma grave colis&atilde;o no trajeto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Maria Augusta conseguiu sair ilesa gra&ccedil;as &agrave; sua inquieta&ccedil;&atilde;o na hora, que tamb&eacute;m foi respons&aacute;vel por fazer o capit&atilde;o pedir socorro &agrave; navega&ccedil;&atilde;o e garantir o resgate de todos. A atitude da jovem gerou grandes homenagens a ela na &eacute;poca por meio da marinha inglesa e brasileira.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De volta ao Brasil, Maria Augusta encontrou nas folhas de um jornal uma nova possibilidade para desbravar: o estudo da medicina, que naquele per&iacute;odo era proibido para uma mulher. A sa&iacute;da foi pedir ao pai, Albino Augusto Generoso, que era um rico comerciante, para estudar em Nova Iorque, nos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O pedido foi atendido, s&oacute; que Maria Augusta ainda n&atilde;o tinha a idade m&iacute;nima de 18 anos para ser matriculada.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foi necess&aacute;rio muita conversa com a Faculdade de Medicina de Nova Iorque e Hospital da Mulher para o ingresso da jovem ser realizado, em 1876. Nesse per&iacute;odo, o imperador Dom Pedro II ainda concedeu uma bolsa para garantir as despesas da estudante ap&oacute;s o com&eacute;rcio do seu pai quebrar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Reconhecida como a melhor aluna da turma, a m&eacute;dica ganhou experi&ecirc;ncia profissional nos EUA e fundou o jornal &ldquo;<em>A Mulher&rdquo;<\/em> com outra brasileira que seguiu seus passos na mesma faculdade, a Josefa Agueda Felisbella Mercedes de Oliveira. A publica&ccedil;&atilde;o produzia conte&uacute;do voltado aos direitos e interesses das mulheres brasileiras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em 1882, restabelecida no Brasil, a m&eacute;dica p&ocirc;de ver com os pr&oacute;prios olhos a transforma&ccedil;&atilde;o que promoveu na medicina ao se tornar a primeira mulher brasileira graduada na &aacute;rea em Nova Iorque. Naquele ano, o Brasil j&aacute; aceitava que as estudantes fossem matriculadas no curso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m&eacute;dica casou-se com o farmac&ecirc;utico Antonio Costa Moraes, com quem teve cinco filhos. O alagoano n&atilde;o apoiava por completo a esposa. No entanto, Maria Augusta n&atilde;o abriu m&atilde;o da sua miss&atilde;o e, mesmo reduzindo o fluxo de trabalho para cuidar dos filhos, era consultada em casos de alta complexidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A m&eacute;dica, que d&aacute; o nome a 64&ordf; cadeira da Academia de Medicina de S&atilde;o Paulo, morreu em 1946, aos 86 anos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><figure class=\"wp-attachment-7915\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"889\" height=\"500\" class=\"wp-image-7915\" src=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk.jpg\" alt=\"Fotos de Wanda Horta e Maria Lenk\" srcset=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk.jpg 889w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk-300x169.jpg 300w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk-768x432.jpg 768w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk-100x56.jpg 100w, https:\/\/alice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Fotos-de-Wanda-Horta-e-Maria-Lenk-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px\"><\/figure>\r\n<figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos de Wanda Horta e Maria Lenk<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Wanda Horta<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Humaniza&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/pessoas\/wanda-horta-enfermeira-cuidado-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wanda Horta<\/a> aplicou esse conceito com maestria na enfermagem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nascida no Par&aacute;, em 1926, a profissional foi para o Paran&aacute; aos 10 anos. Em Ponta Grossa, ela concluiu os estudos e entrou em um curso t&eacute;cnico de Medicina. Wanda tentou integrar a equipe da Cruz Vermelha na Segunda Guerra Mundial, mas n&atilde;o foi aceita.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ap&oacute;s esse epis&oacute;dio, mudou-se para Curitiba em busca de trabalho e emprego at&eacute; que, em 1945, ganhou uma bolsa de estudos para ingressar no ensino superior no curso de Enfermagem na Universidade de S&atilde;o Paulo.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Formada, Wanda passou a integrar uma equipe multidisciplinar em Santar&eacute;m, que dedicava os seus esfor&ccedil;os &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o que vivia na Amaz&ocirc;nia. Nessa &eacute;poca, os profissionais de enfermagem questionavam a falta de autonomia para exercer o trabalho, conforme <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/reeusp\/a\/yDvfrNWFqqzWXWLQnR99gdk\/?format=pdf&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">pesquisas acad&ecirc;micas apontam<\/a>.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com isso, a enfermeira se formou em biologia para embasar ainda mais seus conhecimentos e, assim, criar um marco te&oacute;rico na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais dessa categoria.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para a pesquisadora, a enfermagem poderia ser definida como &ldquo;<a href=\"https:\/\/alice.com.br\/blog\/plano-de-saude\/wanda-coordenacao-cuidado-alice\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gente que cuida de gente<\/a>&rdquo;, por isso era preciso entender a complexidade e camadas, incluindo as emocionais, dos pacientes &ndash; para al&eacute;m das enfermidades.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A profissional voltou para a sala de aula como professora, em 1958, na Escola de Enfermagem, e aluna da especializa&ccedil;&atilde;o em Pedagogia e Did&aacute;tica Aplicadas &agrave; Enfermagem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As teorias levantadas em seus estudos foram disseminadas na revista <em>&ldquo;Enfermagem em Novas Dimens&otilde;es&rdquo;,<\/em> publica&ccedil;&atilde;o criada por Wanda, e no livro <em>&ldquo;Processo De Enfermagem&rdquo;<\/em>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na obra, a enfermeira registrou por completo sua <em>&ldquo;Teoria de Enfermagem das Necessidades Humanas B&aacute;sicas&rdquo;<\/em>, e est&aacute; presente na grade curricular do curso at&eacute; os dias de hoje.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mesmo acometida por uma esclerose m&uacute;ltipla dos &oacute;rg&atilde;os, Wanda trabalhou at&eacute; o fim da vida. Precoce, a enfermeira morreu aos 54 anos, em 1981.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Maria Lenk&nbsp;<\/strong><\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com uma trajet&oacute;ria marcada e reconhecida pelo pioneirismo dentro da piscina, a nadadora Maria Lenk tamb&eacute;m fez hist&oacute;ria na ci&ecirc;ncia. Ela nasceu em S&atilde;o Paulo, e foi a primeira mulher sul-americana a competir em uma Olimp&iacute;ada.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os seus pais resolveram fazer a matr&iacute;cula nas aulas de nata&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a menina sofrer com uma pneumonia dupla. Sem piscina dispon&iacute;vel na cidade, Lenk deu suas primeiras bra&ccedil;adas aos 10 anos, no Rio Tiet&ecirc;.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A partir dessa aula, a paulistana come&ccedil;ou a construir sua carreira como atleta e a conquistar recordes surpreendentes, como na modalidade do nado peito em 1939.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Depois de fazer hist&oacute;ria nas competi&ccedil;&otilde;es, em 1942, Maria Lenk come&ccedil;ou a atuar no magist&eacute;rio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como professora, ela foi uma das fundadoras da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica da Universidade do Brasil, hoje conhecida como Universidade Federal do Rio de Janeiro. Novamente, a nadadora foi pioneira, j&aacute; que se tornou a primeira mulher a dirigir uma faculdade no Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os conhecimentos adquiridos dentro e fora da sala de aula foram registrados por Maria Lenk em seu livro <em>&ldquo;Organiza&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desportos&rdquo;,<\/em> publicado em 1941. A obra que detalha conceitos sobre a gest&atilde;o do esporte foi usada como base da disciplina de Administra&ccedil;&atilde;o Esportiva nas faculdades brasileiras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nome de premia&ccedil;&atilde;o, Maria Lenk &eacute; unanimidade no quesito refer&ecirc;ncia para atletas e profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ela faleceu em 2007 aos 92 anos, mas segue viva por meio de seus estudos e feitos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<html><body><h2>Alice tem o plano de sa&uacute;de certo para a sua empresa!<\/h2>\n<p>Alice &eacute; uma empresa de tecnologia que oferece planos de sa&uacute;de empresarial e tem a miss&atilde;o de tornar o mundo mais saud&aacute;vel. 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