{"id":7339,"date":"2021-09-24T18:18:17","date_gmt":"2021-09-24T18:18:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.alice.com.br\/uncategorized\/sonhos-saude-mental\/"},"modified":"2025-08-21T11:21:12","modified_gmt":"2025-08-21T14:21:12","slug":"sonhos-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alice.com.br\/blog\/sua-saude\/sonhos-saude-mental\/","title":{"rendered":"No enigma dos sonhos, uma ajuda para a realidade"},"content":{"rendered":"<html><body><p>De dia, uma exist&ecirc;ncia realista: h&aacute; o trabalho, o tr&acirc;nsito, o caf&eacute; que cai na roupa, a pilha de documentos para revisar. &Agrave; noite, a exist&ecirc;ncia &eacute; outra: surreal, fora de l&oacute;gica, cheia de imposs&iacute;veis e sem p&eacute; nem cabe&ccedil;a.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Que atire a primeira pedra quem, nos sonhos, nunca encarnou os mais distintos personagens, fabulosos e estranhos, munidos de poderes ou amea&ccedil;ados por perigos incalcul&aacute;veis, enquanto que no travesseiro repousa uma cabe&ccedil;a muitas vezes an&ocirc;nima e ordin&aacute;ria.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Entre o fechar dos olhos e o adormecimento pleno, somos capazes de habitar dois mundos simult&acirc;neos enquanto sonhamos. T&atilde;o antigos quanto a civiliza&ccedil;&atilde;o que lhes fornece o &ldquo;roteiro&rdquo;, os <strong>sonhos<\/strong> s&atilde;o encarregados de dizer do passado, do presente ou do futuro, a depender da cultura.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Intrigam os seres humanos em maior ou menor grau, conforme a disponibilidade para perguntar sobre suas mensagens.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Algumas delas podem informar ao sonhador que importantes quest&otilde;es da vida merecem aten&ccedil;&atilde;o &ndash; &agrave;s vezes, uma aten&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode mais esperar.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Estava de noite, a rua estava vazia. Eles vieram atr&aacute;s de mim. Eu comecei a correr e precisava gritar socorro para me salvar. S&oacute; assim eu iria me salvar. Eu abria a boca, fazia esfor&ccedil;o e o grito n&atilde;o sa&iacute;a. Eu ia morrer. Me esforcei muito para gritar. Eu estava correndo. At&eacute; que eu acordei (de verdade) gritando &lsquo;socorro&rsquo;, e muito cansada, como se estivesse correndo. Fiquei cansada todo o dia.&rdquo; <strong>(Raquel, 50 anos, S&atilde;o Paulo)<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esse sonho de Raquel (nome fict&iacute;cio) est&aacute; presente no livro <em>Sonhos confinados: o que sonham os brasileiros em tempos de pandemia<\/em> (Editora Aut&ecirc;ntica, 2021).&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o, organizada pelos psicanalistas Christian Dunker, Cl&aacute;udia Perrone, Gilson Iannini, Miriam Debieux Rosa e Rose Gurski, resulta de uma <a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/mosaico\/article\/view\/24824\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">pesquisa <\/a>nacional de coleta de cerca de 900 sonhos, realizada por quatro universidades: UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), USP (Universidade de S&atilde;o Paulo), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em sequ&ecirc;ncia ao registro da produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica dos participantes, o projeto recolheu as interpreta&ccedil;&otilde;es feitas pelos sonhadores. Foram oferecidos atendimentos de escuta a quem estivesse em situa&ccedil;&atilde;o de sofrimento.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao interpretar o sonho em que n&atilde;o consegue gritar, Raquel disse aos pesquisadores que tem &ldquo;vontade de colocar algo pra fora, n&atilde;o me prender&rdquo;.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ela relatou que sua vida era orientada por v&aacute;rios n&atilde;o-ditos, impostos desde cedo em sua fam&iacute;lia. Segundo os pesquisadores, &ldquo;o sonho teria explicitado e evocado esta antiga rela&ccedil;&atilde;o com a interdi&ccedil;&atilde;o &agrave; palavra, quest&atilde;o com a qual ela adiava lidar. A partir da experi&ecirc;ncia on&iacute;rica e da escuta, ela decide que &eacute; hora de falar e busca um analista com quem possa dizer dessa antiga rela&ccedil;&atilde;o com o sil&ecirc;ncio, pois entende que &eacute; hora de atravess&aacute;-la&rdquo;.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em outras palavras, o sonho angustiante de Raquel, que literalmente a deixou sem palavras, ofereceu suporte &agrave; busca de ajuda profissional para lidar com os impedimentos de se expressar.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Muitas vezes o sonho, nas imagens que articula, pode nomear o que est&aacute; dif&iacute;cil de ser verbalizado e reconhecido pelo sujeito&rdquo;, explica a psic&oacute;loga e psicanalista Rose Gurski, uma das organizadoras do estudo sobre os sonhos e professora do Departamento de Psican&aacute;lise e Psicopatologia da UFRGS.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Na pesquisa, vimos que quando os sonhadores contavam seus sonhos, n&atilde;o pareciam ter no&ccedil;&atilde;o do sofrimento que suas narrativas carregavam. &Eacute; como se o sonho nomeasse, com suas imagens e significa&ccedil;&otilde;es cifradas, a dor e express&otilde;es de si que n&atilde;o podem aparecer de outro modo&rdquo;, completa, destacando tamb&eacute;m que o levantamento sobre a produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica &eacute; uma forma de tratamento do momento hist&oacute;rico em que vivemos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Gurski fundamenta que nas situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas, em que h&aacute; intenso desamparo e ang&uacute;stia, como &eacute; o caso da pandemia com suas massivas perdas coletivas, &eacute; poss&iacute;vel que a fun&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica seja mais convocada, uma vez que h&aacute; uma estimula&ccedil;&atilde;o excessiva do aparelho ps&iacute;quico que extrapola as condi&ccedil;&otilde;es de elabora&ccedil;&atilde;o do sujeito.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Pensamos que os sonhos funcionam como uma esp&eacute;cie de prote&ccedil;&atilde;o para o psiquismo. Isso porque o sonho tem justamente como uma de suas fun&ccedil;&otilde;es metabolizar aquilo que est&aacute; indigesto para o sonhador &ndash; a&nbsp; dimens&atilde;o traum&aacute;tica, que tamb&eacute;m pode ser chamada de &lsquo;inomin&aacute;vel&rsquo;&rdquo;, esclarece a psic&oacute;loga e psicanalista.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Um pesadelo recorrente em todas as noites foi o que levou um garoto de cinco anos a desenvolver um pavor de dormir. Mas foi tamb&eacute;m o que motivou a m&atilde;e a procurar psicoterapia para a crian&ccedil;a.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As imagens e sons assustadores que o menino experimentava enquanto dormia foram dando lugar &agrave; dif&iacute;cil e sens&iacute;vel elabora&ccedil;&atilde;o sobre a morte. Em linhas comoventes, o neurocientista Sidarta Ribeiro descreve, no seu livro <em>O or&aacute;culo da noite<\/em> (Companhia das Letras, 2019), como aqueles sonhos foram cruciais para que ele pudesse iniciar o processo de luto pela perda do pai, que, em um ataque card&iacute;aco, se fora de forma t&atilde;o precoce.&nbsp;&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do absurdo dos sonhos &agrave;s viv&ecirc;ncias cotidianas<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;O que quero relatar n&atilde;o &eacute; um sonho em si, mas uma sensa&ccedil;&atilde;o que tenho em muitos desses sonhos: sempre que estou prestes a tocar algu&eacute;m ou alguma coisa, finalizar uma tarefa, passar de uma porta, &eacute; como se o ch&atilde;o sob meus p&eacute;s entrasse em marcha &agrave; r&eacute;. Na verdade, &eacute; como se tudo estivesse acontecendo sobre um disco de vinil e quando estou prestes a fazer o que quero &ndash; abra&ccedil;ar, reatar, passar de uma porta, dar caminho, finalizar um desejo seja ele qual for &ndash; a radiola &eacute; ligada e eu fico presa no &lsquo;quase&rsquo;. E n&atilde;o adianta apressar o passo, tentar enganar o disco, porque a for&ccedil;a oposta vai na mesma intensidade.&rdquo; <strong>(M&eacute;rcia, 40 anos, Bahia)<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os pesquisadores compartilham no livro que, ao interpretar o pr&oacute;prio sonho, M&eacute;rcia (nome fict&iacute;cio) faz uma leitura de que ele demonstra a impot&ecirc;ncia que ela sente ao n&atilde;o poder fazer nada para que o disco siga adiante. &ldquo;Ela n&atilde;o se sente agente, autora, da pr&oacute;pria vida, e qualquer esfor&ccedil;o nessa dire&ccedil;&atilde;o parece v&atilde;o.&rdquo;&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para Ma&iacute;ra (nome fict&iacute;cio), do Rio de Janeiro, um sonho que ela tivera a fez pensar &ldquo;em como estou levando minha vida desde o ano passado: em movimento, mas sem destino&rdquo;.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Relatos como o de Ma&iacute;ra, M&eacute;rcia, Sidarta e Raquel ilustram que o mundo dos sonhos n&atilde;o &eacute; separado da vida em que estamos acordados, por mais que os elementos on&iacute;ricos produzam estranhamento aos sonhadores.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;O sonho &eacute; o espa&ccedil;o em que as quest&otilde;es que est&atilde;o em aberto voltam &agrave; tona: aquilo que marcou, que traumatizou, com que voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; satisfeito&rdquo;, explica o psiquiatra e psicanalista Mario Eduardo Costa Pereira, professor associado do Departamento de Psicologia M&eacute;dica e Psiquiatria da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Unicamp.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Uma fun&ccedil;&atilde;o muito importante do sonho &eacute; fazer o sujeito se reencontrar e se perguntar &lsquo;Para que mesmo que eu estou fazendo isso?&rsquo; &lsquo;Por que estou me matando tanto por isso?&rsquo; &lsquo;Qual &eacute; o sentido disso, dos meus ideais, meus projetos?&rsquo; &Eacute; como se o sujeito se ressintonizasse consigo mesmo para que a vida volte a fazer sentido&rdquo;, completa Pereira, que &eacute; tamb&eacute;m autor do livro <em>A er&oacute;tica do sono<\/em> (Editora Aller, 2021).&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Essa produ&ccedil;&atilde;o de perguntas t&atilde;o pessoais a partir dos sonhos demonstra o quanto nossa produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica tem um aspecto de &ldquo;retorno da verdade da gente, daquilo que fica escondido atr&aacute;s da realidade cotidiana&rdquo;, como explica o professor da Unicamp.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Uma das estrat&eacute;gias que a gente tem para n&atilde;o ter que entrar em contato com isso que &eacute; muito penoso &eacute; se lan&ccedil;ar &agrave; pr&aacute;tica da vida. A gente brinca dizendo &lsquo;vai carpir um lote que passa&rsquo;. O problema at&eacute; passa naquela hora; mas, &agrave; noite, volta. Porque carpir um lote n&atilde;o muda nada se voc&ecirc; se sente abandonado, n&atilde;o se sente realizado, sente que est&aacute; fazendo o oposto daquilo que se desejava, n&atilde;o se autoriza a ir de fato atr&aacute;s do que quer. Tem gente que precisa da realidade pra jamais ter contato consigo mesmo&rdquo;, prossegue o psiquiatra.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A realidade, de fato, se imp&otilde;e. &ldquo;&Eacute; claro que o mundo tem que funcionar, e a gente precisa fazer gest&atilde;o das coisas pr&aacute;ticas da vida. Mas esta &eacute; a <em>cena<\/em>, e a gente tem a <em>outra cena<\/em>, que era o que Freud chamava de inconsciente. No fundo, &eacute; a <em>outra cena<\/em> que d&aacute; o sentido para a <em>cena<\/em>: se voc&ecirc; n&atilde;o tem contato com a <em>outra cena<\/em>, voc&ecirc; pode at&eacute; ter sucesso na <em>cena<\/em>, mas tem uma sensa&ccedil;&atilde;o de desconex&atilde;o com voc&ecirc; mesmo. O sonho permite a chance de um novo contato com a <em>outra cena<\/em>.&rdquo;&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al&eacute;m de trazer para a consci&ecirc;ncia aspectos cruciais da vida do sonhador, o sonho permite consolidar mem&oacute;rias que estavam em aberto e estabelecer novas redes de liga&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&Eacute; o que acontece quando vamos dormir com um problema pendente de solu&ccedil;&atilde;o e acordamos com poss&iacute;veis sa&iacute;das para aquele quebra-cabe&ccedil;a.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Aquilo que antes a gente s&oacute; conseguia pensar de uma &uacute;nica maneira associativa come&ccedil;a a ter possibilidade de se associar de outras formas. Ent&atilde;o, o sonho e o sono t&ecirc;m papel extremamente importante para a vida mental, ps&iacute;quica, emocional e para a mem&oacute;ria&rdquo;, acrescenta o psiquiatra e psicanalista.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sonhar, relatar e interpretar<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Historicamente, &eacute; a sabedoria popular que supunha um significado oculto na produ&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica; da&iacute; nossas infind&aacute;veis tentativas de interpreta&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sigmund Freud, neurologista que criou a Psican&aacute;lise, seguiu a mesma trilha de inquieta&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o leiga e fez do enigma dos sonhos o motor de sua teoria sobre o funcionamento ps&iacute;quico dos humanos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao publicar o livro &ldquo;A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos&rdquo;, em 1900, ele apresentava a aplica&ccedil;&atilde;o de uma t&eacute;cnica psicol&oacute;gica de interpreta&ccedil;&atilde;o que revelava que aquelas sofisticadas produ&ccedil;&otilde;es de linguagem eram uma forma&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica dotada de sentido e que tinha rela&ccedil;&atilde;o com a vida acordada.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Se de um lado a forma&ccedil;&atilde;o do sonho implicava um trabalho de elabora&ccedil;&atilde;o, o caminho inverso, da interpreta&ccedil;&atilde;o, produzia associa&ccedil;&otilde;es que conectavam os elementos on&iacute;ricos, at&eacute; ent&atilde;o absurdos e il&oacute;gicos, a situa&ccedil;&otilde;es cotidianas e desejos inconscientes.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Diferentemente das tradi&ccedil;&otilde;es criptogr&aacute;fica ou simb&oacute;lica, em que significados pr&eacute;-determinados eram atribu&iacute;dos por um outro ou pela cultura, Freud postulou que as &ldquo;chaves&rdquo; para interpretar os sonhos s&atilde;o subjetivas, isto &eacute;, as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o particulares, tecidas pelas associa&ccedil;&otilde;es que cada sonhador vai fazendo entre os elementos do sonho e aquilo que vem &agrave; mente.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A partir da interpreta&ccedil;&atilde;o, o sentido informa ao sonhador quest&otilde;es e detalhes de sua vida que passaram despercebidos ou que foram desconsiderados, seja por n&atilde;o parecerem t&atilde;o importantes ou por serem <em>insuportavelmente<\/em> relevantes.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O sonho de que lembramos ao acordar j&aacute; &eacute; um triunfo: tem gente que n&atilde;o consegue acessar o que se passou, &ldquo;seja porque n&atilde;o tolera lembrar, seja porque o sonho foi t&atilde;o bom que resolveu tudo ali mesmo. Mas quando o sonho traz &agrave; tona quest&otilde;es que te perturbam, &eacute; importante que ele seja relatado e escutado. Um dispositivo anal&iacute;tico ou psicoterap&ecirc;utico tem essa estrutura de dar espa&ccedil;o de fala, elabora&ccedil;&atilde;o, recorda&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel&rdquo;, afirma Pereira.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Gurski acrescenta que os participantes da pesquisa falavam do efeito organizador obtido ao contar os sonhos para um outro.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Diziam reparar em sentidos diversos, o que n&atilde;o ocorria quando somente sonhavam, mas, sobretudo, quando narravam o sonho a um outro.&rdquo;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&ldquo;Trabalhamos com a no&ccedil;&atilde;o de que as narrativas on&iacute;ricas, quando compartilhadas e endere&ccedil;adas a outro, podem decantar na produ&ccedil;&atilde;o de novos sentidos. Fomos vendo que a possibilidade de o sujeito narrar-se, fazer um relato de si, tamb&eacute;m pela via do sonho, cria uma condi&ccedil;&atilde;o que permite alcan&ccedil;ar a constru&ccedil;&atilde;o de um m&iacute;nimo de sentido e compreens&atilde;o ao sonhador, tornando a ang&uacute;stia menos aniquiladora&rdquo;, conclui a pesquisadora.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uploads-ssl.webflow.com\/600043ae09b8181b1c1438af\/614e26eb445e2c53dd999d26_time_de_saude_SONHOS_info.png\" alt=\"\">\r\n<figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte: Bruno Belluomini<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&zwj;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No sonho aparece uma casa, um barco em cima do telhado, depois uma letra e uma figura ac&eacute;fala que corre.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Visto assim, o sonho parece completamente absurdo. Esses elementos foram chamados por Freud de &ldquo;conte&uacute;do manifesto&rdquo;; &eacute; aquilo que identificamos ao descrever o sonho e a narrativa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas, para chegar aos conte&uacute;dos do sonho, ou seja, fazer sua interpreta&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso considerar o &ldquo;conte&uacute;do latente&rdquo;. Esses elementos precisam ser tratados como uma esp&eacute;cie de pictografia, em que cada signo deve gerar associa&ccedil;&otilde;es trazidas pela linguagem:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>&ndash; segundo as refer&ecirc;ncias do sonhador, a casa do sonho remete a qu&ecirc;?<br>&ndash; e o barco?&nbsp;<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>&ndash; e um barco em cima de um telhado pode ser associado a qu&ecirc;?&nbsp;<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>&ndash; quais ideias podem ser lembradas a partir dessa letra?<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>&ndash; a ideia lembrada gera outra lembran&ccedil;a?<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>(&hellip;)&nbsp;<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As associa&ccedil;&otilde;es, ent&atilde;o, v&atilde;o levando a quest&otilde;es &iacute;ntimas da vida do sonhador, a detalhes presentes no dia anterior e a elementos que pareciam n&atilde;o ser t&atilde;o significativos.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O conte&uacute;do latente, portanto, aponta para o inconsciente. E para que essas quest&otilde;es tenham condi&ccedil;&atilde;o de vir &agrave; tona para o sonhador, o sonho tem seu conte&uacute;do submetido a diversos processos de disfarce, condensa&ccedil;&atilde;o (v&aacute;rias ideias reunidas em um &uacute;nico elemento) e deslocamento (a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; desviada para o que &eacute; menos importante), entre outras edi&ccedil;&otilde;es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&Eacute; por isso que um sonho, ao ser relatado, pode parecer curto, r&aacute;pido e sem sentido em sua descri&ccedil;&atilde;o, mas possibilita associa&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas e infind&aacute;veis, visto que a interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; inesgot&aacute;vel.&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <em>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos<\/em> (Freud, 1900)<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<html><body><h2>Alice tem o plano de sa&uacute;de certo para a sua empresa!<\/h2>\n<p>Alice &eacute; uma empresa de tecnologia que oferece planos de sa&uacute;de empresarial e tem a miss&atilde;o de tornar o mundo mais saud&aacute;vel. 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