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Tipos de pintas na pele: como identificar lesões normais e sinais de alerta

Conheça os principais tipos de pintas na pele, saiba identificar alterações e entenda quando é importante procurar um dermatologista.

Tipos de pintas na pele: como identificar lesões normais e sinais de alerta
Baseado em evidências científicas

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Escrito pela Equipe de Conteúdo em Saúde | Revisado por Dr. Thiago Viana Santos, Médico de Família e Comunidade  (CRM 202339 / RQE 107711)

É muito comum olhar para o corpo e notar o surgimento de pequenas manchas ou o crescimento de lesões que já existiam.

Conhecidas popularmente como pintas, essas marcas na pele recebem na medicina o nome de nevos melanocíticos.

Na grande maioria dos casos, as pintas são totalmente benignas e fazem parte da característica genética de cada indivíduo.

No entanto, algumas lesões podem sofrer transformações ao longo da vida ou indicar condições mais sérias, como o melanoma (o tipo mais grave de câncer de pele).

Para dimensionar: o câncer de pele não melanoma é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, segundo o INCA, mas raramente é fatal.

O melanoma é bem menos comum, mas é o mais grave pela capacidade de se espalhar para outros órgãos (metástase).

A boa notícia é que, quando diagnosticado no início, as chances de cura são muito altas.

Neste guia prático, você vai aprender a diferenciar as pintas normais das lesões suspeitas, como aplicar a regra internacional do ABCDE e quando é o momento de procurar um dermatologista.

Aviso de Saúde: Este conteúdo é estritamente informativo. A observação em casa não substitui o exame médico dermatoscópico (o exame da pinta com uma lente de aumento e luz especial, que revela estruturas invisíveis a olho nu), realizado por um profissional em consultório.

O que são pintas na pele e por que elas surgem?

As pintas são aglomerados de melanócitos, as células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à nossa pele, cabelos e olhos.

Elas podem ser congênitas (quando a pessoa já nasce com elas) ou adquiridas (surgem ao longo da vida, principalmente até os 30 ou 40 anos).

Os principais fatores que influenciam o aparecimento de pintas são:

  • Genética: Tendência familiar para ter maior número de sinais na pele.
  • Exposição solar: A radiação ultravioleta (UV) estimula os melanócitos a produzirem mais pigmento e se multiplicarem.
  • Fototipo de pele: Pessoas de pele, olhos e cabelos claros, que se queimam com facilidade e raramente se bronzeiam (fototipos I e II), tendem a ter mais pintas e maior sensibilidade aos danos do sol.

Tipos mais comuns de pintas e lesões cutâneas

Nem toda marca marrom ou avermelhada na pele é um nevo melanocítico.

Confira as principais lesões benignas e como elas se comportam:

Tipo de Lesão Características Visuais Comportamento Clínico
Nevo Melanocítico Comum Arredondado, bordas regulares, cor uniforme (castanho ou castanho-escuro). Benigno. Raramente se transforma em melanoma.
Sardas (Efélides) Manchas pequenas, planas, em áreas expostas ao sol (rosto, ombros). Benignas. Escurecem no verão e clareiam no inverno.
Sinal de Rubi (Hemangioma) Pequenas bolinhas vermelhas ou arroxeadas. Benigno. Proliferação de vasos sanguíneos, muito comum com o envelhecimento.
Ceratose Seborreica Lesão áspera, elevada, com aspecto de “colada na pele”, cor castanha ou preta. Requer atenção. Na maioria das vezes é benigno, mas indica maior risco de melanoma na pele como um todo, e não necessariamente naquela pinta. Merece acompanhamento médico.
Nevo Displásico (Atípico) Pinta de formato irregular, com mais de uma cor e diâmetro maior. Requer atenção. Funciona como um marcador de maior risco para o desenvolvimento de melanoma.

A Regra do ABCDE do Melanoma: o que observar na pele?

A regra do ABCDE é uma metodologia mnemônica internacionalmente reconhecida pela American Academy of Dermatology e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para ajudar o público a identificar sinais precoces de melanoma.

Abaixo, veja como avaliar cada uma das 5 características na sua pele:

  • Assimetria: Uma metade é diferente da outra.
  • Bordas: Irregulares, dentadas ou mal definidas.
  • Cor: Presença de múltiplas cores na mesma lesão.
  • Diâmetro: Maior que 6 mm (tamanho de uma borracha de lápis).
  • Evolução: Mudança recente em tamanho, forma, cor ou sintomas.

Vale saber: a maioria dos melanomas surge como uma pinta nova (o chamado melanoma “de novo”) e não a partir de uma pinta antiga. Por isso, lesões que aparecem na vida adulta também merecem atenção.

Entenda o critério em detalhes:

  • Assimetria: Se você “cortar” a pinta ao meio com uma linha imaginária, as duas metades devem ser simétricas (iguais). Se um lado for completamente diferente do outro, acenda o sinal de alerta.
  • Bordas: Pintas saudáveis têm contornos lisos e bem definidos. Lesões com bordas serrilhadas, onduladas, dentadas ou borradas exigem avaliação médica.
  • Cor: Uma pinta comum apresenta tom único (geralmente castanho uniforme). Lesões que misturam castanho, preto, vermelho, branco ou azulado na mesma estrutura são suspeitas.
  • Diâmetro: Lesões com diâmetro superior a 6 milímetros devem ser monitoradas com atenção. Atenção: Melanomas em fase inicial também podem ser menores que 6 mm.
  • Evolução: É o critério mais importante. Qualquer pinta pré-existente que mude de tamanho, cor, formato ou relevo, ou que passe a coçar, sangrar, doer ou formar crostas, precisa ser avaliada por um médico.

Outros sinais importantes que o ABCDE não cobre:

  • Sinal do patinho feio: a pinta que é diferente de todas as outras do corpo merece avaliação, mesmo que não preencha os critérios do ABCDE.
  • Bolinha elevada que cresce rápido: o melanoma nodular, um subtipo agressivo, costuma ser uma lesão elevada, firme e de crescimento rápido, às vezes sem pigmento (rosada ou avermelhada). Ele nem sempre segue a regra do ABCDE.
  • Palmas, plantas dos pés e unhas: o melanoma acral, que surge nessas regiões, é o tipo mais comum em pessoas de pele negra ou parda e costuma ser diagnosticado mais tarde. Fique atento a manchas escuras novas nas mãos e nos pés e a faixas escuras que surgem na unha e se alargam com o tempo (melanoníquia).

Quando agendar uma consulta com o médico o dermatologista?

Para a maioria das pessoas, o mais importante é conhecer a própria pele e procurar avaliação diante de qualquer mudança.

Já para quem tem maior risco, o acompanhamento periódico com o médico é recomendado. Isso inclui pessoas com:

  • Histórico pessoal de melanoma ou de outro câncer de pele;
  • Pais, irmãos ou filhos com melanoma;
  • Muitas pintas (mais de 50) ou pintas atípicas (nevos displásicos);
  • Pele muito clara ou histórico de queimaduras solares graves, especialmente na infância;
  • Imunidade reduzida, como pessoas transplantadas.

Independentemente do risco, agende uma consulta o quanto antes se notar:

  • Qualquer lesão que atenda a um ou mais critérios da regra do ABCDE;
  • Pinta nova surgida após os 30 ou 40 anos de idade;
  • Pinta que sangra espontaneamente, forma ferida ou não cicatriza após duas semanasem cerca de 4 semanas;
  • Sensação frequente de coceira, queimação ou dor no local de uma lesão;
  • Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele (melanoma ou não-melanoma).Pinta que se destaca das demais (sinal do patinho feio) ou mancha escura nova nas palmas, plantas dos pés ou unhas.

Como prevenir alterações e proteger a pele?

A melhor forma de reduzir o risco de transformação de pintas e proteger a saúde cutânea é minimizar os danos provocados pela radiação ultravioleta:

  • Aplique protetor solar diariamente: Utilize filtro solar com FPS 30 ou superior nas áreas expostas, mesmo em dias nublados.
  • Reaplique o produto: A cada 2 ou 3 horas, ou após nadar, suar intensamente e secar-se com toalha.
  • Evite o sol nos horários de pico: Entre 10h e 16h, quando a radiação UVB é mais intensa.
  • Use proteção física: Chapéus de aba larga, óculos de sol com proteção UV e roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU).
  • Evite o uso de câmaras de bronzeamento artificial: A emissão concentrada de raios UVA aumenta o risco de melanoma, principalmente quando o uso começa antes dos 35 anos. A Organização Mundial da Saúde classifica essas câmaras como cancerígenas, e o uso estético é proibido no Brasil pela Anvisa desde 2009.
  1. Proteja as crianças: queimaduras solares na infância aumentam o risco de melanoma na vida adulta. Bebês com menos de 6 meses não devem ser expostos ao sol direto.

Cuidar da sua pele é cuidar da sua saúde como um todo

Identificar sinais e proteger a pele do sol são passos fundamentais, mas ter o suporte de especialistas faz toda a diferença na sua jornada de prevenção.

Na Alice, entendemos que a saúde é um cuidado contínuo e integrado.

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