A Inteligência Artificial deixou de ser um assunto “depois a gente vê” e virou parte do agora, inclusive no RH. No sétimo episódio do Webinar Open Arena, Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice, recebeu Raphael Bozza, CHRO do iFood, para uma conversa aberta sobre o que está funcionando de verdade: como criar uma cultura que experimenta, erra rápido, aprende e transforma o dia a dia do time de People com tecnologia.
Ao longo do episódio, Bosa mostrou que o ponto de partida não é “vamos usar IA porque todo mundo está falando”, mas sim: qual problema real estamos resolvendo? É daí que nascem produtos internos com adoção alta, impacto operacional e espaço para o RH ser mais estratégico, especialmente em empresas que crescem em complexidade.
Quem participou?
Raphael Bozza é CHRO do iFood, lidera um time de People com cerca de 200 pessoas e apoia uma organização com 6.500 colaboradores (foodlovers). No webinar, ele compartilhou como o iFood vem estruturando produtos internos, rituais e mentalidade de inovação para escalar o RH sem virar refém de processos manuais.
O que você vai aprender no episódio?
1) IA não é modismo: é resposta à complexidade do negócio
Um dos pontos centrais da conversa é que a tecnologia não entra “por hype”. Ela entra porque o negócio muda: o iFood deixou de ser “só delivery” e virou um ecossistema com múltiplas frentes, produtos e operações. Nesse cenário, sem tecnologia dentro do RH, o time não escala e perde lugar na mesa de decisão. Quando a empresa acelera, o RH precisa acelerar também e IA pode ser o motor desse salto.
2) Cultura de inovação é pré-requisito para adoção
Bosa conecta IA a um fundamento cultural: aprender rápido, testar e não punir quem experimenta. Sem esse ambiente, a pessoa evita usar IA, tem medo de errar, ou até sente receio de admitir que automatizou parte do trabalho.
A mensagem que atravessa o episódio é: para a IA virar rotina, a liderança precisa reforçar que usar tecnologia é incentivo e não risco.
3) Alie: o bot que virou “membro do time”
O primeiro grande case do iFood é a Alli, um bot interno que começou respondendo dúvidas e foi ganhando novas camadas até virar um hub operacional do RH. Hoje, ela:
- atende mais de 30 mil chamados por mês
- resolve 82% das solicitações já na primeira resposta
- é acessada por cerca de 80% dos foodlovers ao menos uma vez por mês
- suporta fluxos como férias, atestados e rotinas que antes consumiam muito tempo de BPs e operações
O aprendizado importante aqui é menos “ter um bot” e mais ter um produto confiável: base de dados bem feita, atualização constante e governança. Bosa lembrou que quando a ferramenta perde credibilidade, a adoção cai. E recuperar confiança é difícil.
4) IA aplicada ao recrutamento
O segundo case é a Aira (AI Recruiter & Assist), uma solução recente que nasceu de uma dor simples e grande: baixa visibilidade e fricção no fluxo de contratação (sistemas desconectados, aprovações espalhadas, falta de status em tempo real).
A Aira foi construída onde a vida acontece: no Slack. E aí mora um segredo de adoção: não obrigar a liderança a “ir para mais uma ferramenta”, mas trazer o processo para o canal que já está aberto o dia inteiro.
Entre as aplicações citadas:
- geração de job description com poucos inputs
- consolidação de dados do funil para dar visibilidade
- automação de passos como aprovações e interações com o processo
E um detalhe que diz muito sobre cultura: com a Aira, o CEO e o CHRO recebem semanalmente, via Slack, uma lista de novas contratações, com informações para mandar uma mensagem personalizada de boas-vindas, combinando eficiência com cuidado.
5) “Jet skis”: testar pequeno para escalar o que funciona
Bosa compartilha um modelo mental do iFood, que é: em vez de apostar todas as fichas em um “projetão”, a empresa roda dezenas de experimentos pequenos (“jet skis”). A lógica é:
- criar um funil de ideias
- testar rápido
- medir resultado
- escalar só o que realmente gera impacto
No RH, isso se traduz em inovação com ritmo, sem paralisar por perfeccionismo e sem virar “tecnologia por tecnologia”.
6) IA não substitui o RH
Um ponto que aparece o tempo todo no episódio é a ideia de ganhar tempo: tirar tarefas repetitivas e burocráticas do caminho para o RH fazer melhor o que sempre foi diferencial: leitura de contexto, decisões com nuance, cultura, performance, desenvolvimento e o fator humano. A IA não precisa “tirar o humano” do RH. Ela pode proteger o humano, ao reduzir atrito operacional e abrir espaço para conexões de verdade.
Para levar com você
O case do iFood mostra que a pergunta certa não é “qual ferramenta de IA eu devo comprar?”, mas:
- Qual dor real quero resolver?
- Onde as pessoas já trabalham (Slack, WhatsApp, etc.)?
- Meus dados e processos estão confiáveis?
- Tenho cultura e rituais para sustentar adoção?
Quando a IA entra com intencionalidade e com mentalidade de produto, ela vira alavanca de escala, de experiência e de posicionamento estratégico do RH.
Confira o episódio completo no vídeo em destaque nesta página.