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Mulheres na saúde: protagonismo que impacta o cuidado

Elas são maioria na saúde e os dados mostram que isso impacta a forma de cuidar. No Mês da Mulher, um olhar sobre protagonismo, vieses e o papel da tecnologia na saúde feminina.

Mulheres na saúde: protagonismo que impacta o cuidado

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De cada 3 profissionais de saúde no mundo, 2 são mulheres, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, quando falamos especificamente de médicos, a probabilidade de uma pessoa ser atendida por uma médica mulher hoje, no país, já é maior do que por um médico homem.

A diferença é pequena – 50,9% dos profissionais da Medicina são mulheres, segundo dados de 2025 da Demografia Médica no Brasil (pesquisa conduzida pela FMUSP, CFM e Ministério da Saúde), mas mostra um avanço gradual e significativo.  

  • Em 2010, por exemplo, a cada 10 médicos, apenas 4 eram mulheres. 
  • Em 2020, 46,6% eram mulheres. 
  • Em 2023, a proporção ficou empatada e, em 2025, elas se tornaram maioria.  

No futuro, a expectativa é que a Medicina seja ainda mais feminina, representando 56% da força médica do país, segundo a previsão da mesma pesquisa. 

Mas esse protagonismo vai além da presença numérica. Nos últimos anos, estudos têm mostrado que a atuação feminina também está associada a diferenças relevantes na forma de cuidar e nos desfechos de saúde.

Um dos trabalhos mais robustos sobre o tema, publicado no periódico científico JAMA Network, analisou mais de 770 mil pacientes hospitalizados e encontrou que médicas têm melhores indicadores quando se analisa mortalidade, reinternação e adesão ao tratamento dos pacientes. 

Os dados – desse e de outros estudos – mostram o impacto: 

  • Mortalidade: 11,07% (médicas) vs 11,49% (médicos), segundo pesquisa divulgada pela revista científica JAMA (2017).
  • Mortalidade feminina: 8,15% com médicas vs 8,38% com médicos, segundo pesquisa divulgada no periódico Annals of Internal Medicine (2024)
  • Mortalidade: ~5% menor com médicas; Readmissões hospitalares: ~3% menor com médicas, segundo meta-análise que reuniu 35 estudos e mais de 13,4 milhões de pacientes, e publicada na revista BMC Health Service Research (2025).

O que explica essas diferenças?

Esses resultados não dizem que mulheres são melhores médicas, por si só. Mas que a diversidade amplia os repertórios do cuidado, e isso tem, sim, impacto no dia a dia.

Estudos sugerem que médicas mulheres adotam uma comunicação mais centrada no paciente com maior exploração de aspectos psicossociais, escuta ativa e construção de parceria durante a consulta. Essas características estão associadas a maior adesão ao tratamento e melhores desfechos clínicos.

Além disso, a interpretação dos sintomas pode ser influenciada por viéses, e isso tem impacto direto na saúde das mulheres.

Na prática, isso significa que sinais clínicos podem ser:

  • Subestimados;
  • Normalizados;
  • Atribuídos a causas menos específicas.

Esse fenômeno aparece de forma consistente em estudos sobre diagnóstico em saúde feminina, especialmente em condições marcadas por dor. A endometriose é um dos casos mais bem documentados desse cenário: apesar de afetar muitas mulheres no mundo, o diagnóstico ainda costuma ser tardio. Revisões internacionais mostram que o tempo entre o início dos sintomas e a confirmação da doença pode levar anos.

Esses estudos apontam a necessidade de mudança nas pesquisas envolvendo condições de saúde específicas da mulher. Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2026 mostra que ainda há um longo caminho: apenas 6% do investimento global em saúde é direcionado à saúde feminina.

Tecnologia e saúde da mulher

Se a presença feminina amplia o olhar clínico, a tecnologia pode ampliar o alcance desse cuidado. A Inteligência Artificial já está sendo aplicada na análise de exames como mamografia, ajudando a identificar padrões que podem passar despercebidos. Um estudo publicado na revista científica Nature mostrou que sistemas de IA podem melhorar a detecção de câncer de mama e reduzir erros diagnósticos.

Além disso, aplicativos e plataformas digitais têm mudado a forma como mulheres acompanham a própria saúde com monitoramento de ciclo e saúde hormonal; telemedicina para acompanhamento contínuo e organização de exames preventivos. O resultado é um cuidado mais acessível, contínuo e integrado à rotina.

Mas, aqui, vale destacar um ponto crítico: as tecnologias não são neutras. Sistemas de saúde e até algoritmos podem reproduzir vieses existentes se não forem construídos com diversidade. Isso reforça a importância de incluir mulheres no desenvolvimento de soluções e considerar diferenças biológicas e sociais.

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