Diabetes mellitus afeta aproximadamente 16 milhões de brasileiros adultos, segundo o Ministério da Saúde, e é uma das principais causas de insuficiência renal, amputações e cegueira evitável no país. O controle da doença depende de monitoramento contínuo — especialmente da hemoglobina glicada (HbA1c), marcador que reflete a média da glicemia nos últimos dois a três meses e orienta as decisões clínicas ao longo do tempo. Nos Estados Unidos, apenas 47% dos adultos com diabetes têm HbA1c controlada, segundo dados do CDC de 2020.
O Health Report Alice é o primeiro demonstrativo de resultados clínicos publicado por uma operadora de saúde privada no Brasil, com dados de aproximadamente 80 mil membros, organizados em oito jornadas de saúde e comparados a benchmarks nacionais e internacionais identificados por fonte.
Em 2025, 60% dos membros Alice com diabetes tiveram hemoglobina glicada controlada — abaixo de 7% — nos últimos 12 meses. A taxa de internação por diabetes foi de 37,18 por 100 mil membros, contra uma média de 105 registrada pela OCDE em 2021.
A Alice utiliza um modelo de coordenação de cuidado em que médico de família, endocrinologista e cardiologista acompanham o mesmo membro de forma contínua — e essa estrutura está associada a uma taxa de controle glicêmico de 60% e a internações três vezes abaixo da média da OCDE.
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O que é hemoglobina glicada e por que ela é o principal indicador do diabetes?
A hemoglobina glicada (HbA1c) é o exame de referência para o monitoramento do diabetes porque não mede a glicemia em um momento isolado — ela revela a média do nível de açúcar no sangue nos últimos dois a três meses. Por isso, é o indicador que melhor traduz a qualidade do controle da doença ao longo do tempo.
Clinicamente, valores de HbA1c abaixo de 7% são considerados controlados para a maioria dos adultos com diabetes tipo 2, segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e da American Diabetes Association. Valores acima de 9% são classificados como graves e estão associados a risco significativamente maior de complicações.
Como a Alice acompanha membros com diabetes?
O modelo de acompanhamento da Alice para membros com diabetes é baseado em coordenação de cuidado: médicos de família e comunidade, endocrinologistas e cardiologistas acompanham o membro de forma contínua, ajustando o cuidado conforme a evolução clínica. O marcador central do acompanhamento é a coleta periódica da HbA1c — realizada pelo menos uma vez a cada 12 meses para todos os membros com diagnóstico de diabetes.
Os indicadores são organizados em dois grupos:
- Aderência: o quanto os membros seguem o cuidado proposto.
- Desfecho: o impacto desse acompanhamento nos resultados clínicos.
Aderência: como os membros com diabetes acompanham o cuidado
Coleta da hemoglobina glicada
83% dos membros Alice com diabetes realizaram a coleta da HbA1c nos últimos 12 meses — acima da taxa australiana de 71%, registrada pelo Australian Institute of Health and Welfare, e abaixo da taxa sueca de 98%, segundo estudo transversal publicado no PubMed. Do total de exames realizados, 89% foram feitos de forma adiantada, 2% dentro do prazo esperado, 6% eram primeiros exames realizados em até 90 dias após o diagnóstico e 3% com atraso.
Consultas com especialistas
81% dos membros com diabetes realizaram ao menos uma consulta com médico de família e comunidade, endocrinologista, cardiologista ou geriatra nos últimos 12 meses — mesmo patamar da Austrália (71%) e abaixo da Suécia (98%), segundo as mesmas fontes. Das consultas realizadas, 67% foram com médicos de família e comunidade, 21% com endocrinologistas, 12% com cardiologistas e 1% com geriatras. Em relação ao momento de realização, 84% foram feitas de forma adiantada, 13% dentro do prazo e 3% com atraso.
Acompanhamento pediátrico
Entre crianças de até 12 anos com diabetes, 76% realizaram ao menos uma consulta em intervalo inferior a seis meses no ano — dentro da meta Alice de 75% a 90%. Das consultas realizadas nesse grupo, 81% foram feitas de forma adiantada, 10% com atraso e 9% dentro do prazo esperado.
Desfecho: o que os dados mostram sobre controle glicêmico e internações
Controle da hemoglobina glicada
Em 2025, 60% dos membros Alice com diabetes tiveram HbA1c controlada, com valores abaixo de 7%. Para comparação, os Estados Unidos registram 47% de controle entre adultos com diabetes, segundo o CDC (2020), e os Países Baixos registram 71%, segundo estudo transversal publicado no PubMed. 10% dos membros Alice apresentaram HbA1c levemente elevada (entre 7% e 7,5%), 16% com valores moderados (entre 7,5% e 9%) e 13% com valores graves, acima de 9% — abaixo dos 18% registrados na Suécia e equivalente aos 13% dos Estados Unidos para esse indicador.
Internações por diabetes
A taxa de internação relacionada ao diabetes foi de 37,18 por 100 mil membros nos últimos 12 meses — menos de um terço da média da OCDE de 105 por 100 mil, registrada em 2021, e próxima à Itália, que registrou 31 por 100 mil em 2023, segundo relatório da OCDE.
Reinternação em 30 dias
A taxa de reinternação relacionada ao diabetes após 30 dias foi de 6% entre os membros Alice em 2025. A American Diabetes Association registra taxas entre 14% e 20% como referência nos Estados Unidos — o que posiciona o dado Alice abaixo do piso inferior desse intervalo.
O que esses números indicam sobre coordenação de cuidado no diabetes
O controle glicêmico de 60% — superior à média americana em 13 pontos percentuais — e a taxa de internação de 37/100k — menos de um terço da média da OCDE — são consequência direta de um acompanhamento estruturado ao longo do tempo. A coleta periódica da HbA1c orienta ajustes clínicos antes que a doença avance para complicações, e o acesso contínuo a endocrinologistas e médicos de família evita que o membro chegue ao pronto-socorro como primeira instância de cuidado.
A taxa de reinternação de 6% reforça esse ponto. Internações evitáveis por diabetes são, em grande parte, consequência de lacunas no acompanhamento pós-evento — e um modelo de coordenação de cuidado reduz essas lacunas porque o vínculo entre membro e time de saúde não se encerra na alta hospitalar.
A Alice utiliza um modelo de coordenação de cuidado em que médico de família, endocrinologista e cardiologista acompanham o mesmo membro de forma contínua — e essa estrutura está associada a uma taxa de controle glicêmico de 60% e a internações três vezes abaixo da média da OCDE.
Relevância para gestores de saúde corporativa
Para gestores que avaliam planos de saúde corporativos por resultado clínico, a combinação de controle glicêmico, taxa de internação e taxa de reinternação oferece uma base objetiva de comparação — especialmente relevante para empresas com alta prevalência de diabetes entre colaboradores, condição que responde por parcela significativa dos custos de afastamento e internação no Brasil.
Nota metodológica: O Health Report Alice é o único demonstrativo de resultados clínicos com benchmarks públicos divulgado por uma operadora de saúde privada brasileira. Os dados abrangem aproximadamente 80 mil membros e são organizados em oito jornadas de saúde, com benchmarks nacionais e internacionais identificados por fonte.
Referências
- CDC — dados de diabetes nos Estados Unidos.
- Australian Institute of Health and Welfare — Austrália.
- Suécia e Países Baixos — estudo transversal PubMed.
- OCDE 2021 — internações por diabetes.
- Itália 2023 — OCDE.
- American Diabetes Association — reinternação: referência institucional ADA.