O Carnaval altera rotinas de vários profissionais no Brasil, especialmente a de médicos e demais referências da saúde. Entre plantões, com descanso reduzido e, para alguns, momentos de lazer, o período convida ao cuidado com o corpo e a saúde mental.
Dados recentes mostram que, apesar de estarem na linha de frente da saúde, muitos médicos convivem com sinais frequentes de exaustão, dores físicas e distúrbios do sono.
Pesquisa realizada em 2022 pela Associação Paulista de Medicina, com quase 800 médicos, revelou que 27% não praticam nenhuma atividade física. Além disso:
- 49% relatam dores musculares ou osteomusculares;
- 44% convivem com distúrbios do sono;
- 30% têm cefaleias frequentes;
- 28% apresentam distúrbios gastrointestinais.
O impacto vai além do corpo. Segundo o mesmo levantamento, 40% dos médicos relataram desânimo nos últimos dois anos; 31%, impaciência; e 30%, dificuldade de atenção e concentração.
Ser médico não torna ninguém imune ao cansaço, ao excesso ou aos próprios limites. Pelo contrário: quem cuida também é humano, sente, se desgasta, deseja descanso e precisa — de verdade — olhar para si.
Por onde começar a se cuidar?
Pequenas decisões no dia a dia podem ajudar a reduzir os riscos e a preservar a saúde física e mental durante a folia — e isso vale tanto para quem vai se dedicar ao trabalho quanto para quem vai descansar.
Algumas recomendações simples que podem contribuir:
- Manter a hidratação ao longo do dia, especialmente em ambientes quentes ou durante longas jornadas, auxilia na disposição, na qualidade do sono e na recuperação do organismo.
- Buscar uma alimentação minimamente equilibrada, mesmo fora da rotina habitual, ajuda a evitar quedas bruscas de energia e desconfortos gastrointestinais.
- Preservar o sono sempre que possível é fundamental para a saúde cognitiva e emocional, ainda que os horários não sejam regulares.
- Observar sinais do corpo, como dores persistentes, fadiga excessiva e irritabilidade, permite intervenções precoces e evita a cronificação de sintomas.
- Incluir pausas ao longo do dia, com momentos breves de descanso, respiração ou alongamento, pode reduzir os níveis de tensão acumulada.
Mais do que um período de exceção, o Carnaval evidencia a necessidade de atenção contínua à própria saúde. Para médicos, que lidam diariamente com o cuidado do outro, reconhecer limites e priorizar o autocuidado é parte essencial da prática profissional.