Negociar salário é uma prática comum e quase automática no mercado. Mas, na Alice, escolhemos outro caminho: não negociar job offers, nem fazer contrapropostas. Pode parecer contraintuitivo à primeira vista, mas essa decisão nasceu de uma observação sobre justiça, confiança e geração de valor ao longo do tempo.
No 12º episódio do Webinar Open Arena, Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice, eFrancine Arida, do time de People, abriram os bastidores dessa estratégia: os princípios que sustentam a decisão, como funciona o processo na prática e como o Alice Development Stages (ADS) ajuda a transformar essa escolha em um sistema coerente, transparente e sustentável.
Quem participou?
Sarita Vollnhofer é CHRO da Alice e lidera o time de People desde os primeiros anos da empresa, ajudando a construir uma cultura baseada em intencionalidade, coerência e impacto real.
Francine Arida faz parte do time de People da Alice e compartilha tanto a visão de quem opera o processo quanto a experiência pessoal de ter recebido uma oferta sem negociação ao entrar na empresa.
Juntas, elas mostram como essa prática não é isolada, mas parte de um ecossistema maior de decisões conectadas à cultura e à estratégia de longo prazo.
O que você vai aprender no episódio?
1) Não negociar é compromisso com a justiça
A decisão de não negociar ofertas parte de um princípio simples e poderoso: toda pessoa que entra na Alice recebe a melhor e mais justa proposta possível, independentemente de quem ela é, de onde vem ou do quanto sabe negociar.
Isso protege dois tipos de justiça:
- Justiça interna, evitando distorções salariais entre pessoas que exercem funções e níveis semelhantes.
- Justiça externa, reduzindo vieses que historicamente favorecem quem negocia melhor e penalizam, por exemplo, grupos minorizados.
O objetivo não é nivelar por baixo, mas eliminar desigualdades artificiais criadas pela negociação.
2) Confiança começa no primeiro contato
A Alice entende que a relação de confiança com uma pessoa candidata começa antes da contratação. Se a empresa diz valorizar a transparência, esse valor precisa aparecer já na oferta, sem margem “escondida” para negociação ou jogos de expectativa.
Ao deixar claro que aquela é, de fato, a melhor proposta possível, a empresa cria um ponto de partida mais honesto: a pessoa avalia se aquela oportunidade faz sentido para sua vida e carreira, sem blefes ou disputas.
3) Senioridade, entrega e remuneração precisam estar conectadas
Na Alice, remuneração não é um acordo individual, mas consequência de senioridade e geração de valor.
Essa lógica é sustentada pelo Alice Development Stages (ADS), a metodologia proprietária de leveling da empresa.
O ADS define:
- Níveis claros de senioridade por área;
- Expectativas de entrega em cada nível;
- Faixas salariais associadas a esses estágios.
A equação é direta: senioridade → nível de entrega esperado → remuneração.
Negociar salário fora desse sistema quebraria a coerência entre essas três dimensões.
4) Leveling como ferramenta de equidade
O ADS não serve apenas para desenvolvimento e carreira. Ele é uma ferramenta central para garantir equidade salarial.
Antes de definir uma oferta, o time de People cruza múltiplas referências:
- Nível esperado para a vaga;
- Evidências coletadas ao longo do processo seletivo;
- Comparações internas com pessoas que já ocupam níveis semelhantes.
Isso evita situações comuns (e corrosivas) no mercado: alguém entrar ganhando mais do que pares que já entregam no mesmo patamar.
5) Um processo seletivo que constrói alinhamento, sem surpresas
Como a Alice não negocia ofertas, o processo seletivo é desenhado para reduzir incertezas.
Ao longo das conversas, a pessoa candidata entende:
- Como funciona o leveling;
- Quais são as expectativas de entrega;
- Lógica de remuneração e benefícios;
- O que a empresa valoriza culturalmente.
O resultado é um dado que chama atenção: mais de 90% das ofertas são aceitas, muitas vezes no próprio momento da proposta.
6) Não negociar também vale para quem já está dentro
A coerência não termina na contratação. Na Alice, também não existem contrapropostas para reter alguém que recebeu uma oferta externa. A lógica é a mesma: corrigir salários apenas sob pressão externa gera distorções internas e quebra a relação de confiança construída.
Performance, desenvolvimento e evolução de remuneração acontecem dentro dos rituais e ciclos previstos e não em negociações pontuais.
Para levar com você
Mais do que fechar contratações, uma oferta de trabalho comunica quem a empresa é – com os seus valores, sua coerência e o tipo de relação que ela quer construir com os seus colaboradores.
Cada oferta é o primeiro capítulo de uma jornada de engajamento. Empresas que tratam a job offer como estratégia (e não como espaço para negociação e barganha) constroem vínculos mais sólidos, reduzem turnover e fortalecem sua cultura no longo prazo.
Confira o episódio completo no vídeo em destaque nesta página.