Sua saúde

O que é pré-diabetes? Sintomas, exames e como reverter o quadro

Entenda o que é pré-diabetes, quais são seus fatores de risco, sintomas e como prevenir a evolução para o diabetes.

O que é pré-diabetes? Sintomas, exames e como reverter o quadro
Baseado em evidências científicas

Tamanho do texto

Escrito por: Equipe de Conteúdo em Saúde | Revisado por: Dr. Thiago Viana Santos, Médico de Família e Comunidade (CRM SP 202339 / RQE 107711)

O pré-diabetes é uma condição de saúde caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose (açúcar) no sangue acima dos valores considerados normais, mas ainda sem atingir os critérios laboratoriais para o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Trata-se de um sinal de alerta do organismo, indicando que o corpo está enfrentando dificuldades para metabolizar a glicose de forma eficiente.

A boa notícia é que o pré-diabetes é uma fase intermediária decisiva: com intervenções adequadas no estilo de vida, é possível normalizar os níveis de açúcar no sangue e reduzir o risco de evoluir para diabetes tipo 2.

Vale saber: pré-diabetes não é uma doença, e sim um fator de risco. Estima-se que 5% a 10% das pessoas com pré-diabetes evoluam para diabetes a cada ano, enquanto muitas voltam a ter valores normais ao longo do tempo. A condição também está associada a maior risco de doenças do coração, por isso o cuidado vai além da glicose.

Aviso Importante: Este conteúdo possui caráter exclusivamente educativo. O diagnóstico do pré-diabetes e a interpretação de exames laboratoriais devem ser realizados por um médico.

O que causa o pré-diabetes?

Para entender o pré-diabetes, é preciso compreender o papel da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas.

A função da insulina é atuar como uma “chave”, permitindo que a glicose vinda dos alimentos saia da corrente sanguínea e entre nas células para gerar energia.

No pré-diabetes, ocorre o fenômeno da resistência à insulina: as células do corpo tornam-se menos sensíveis a esse hormônio.

Como resposta, o pâncreas passa a produzir mais insulina para tentar manter os níveis de glicose controlados.

Com o passar do tempo, esse esforço torna-se insuficiente, fazendo com que o açúcar comece a se acumular na circulação (hiperglicemia).

Exames e valores de referência para o pré-diabetes

O diagnóstico do pré-diabetes é fundamentalmente laboratorial, feito por meio de exames de sangue solicitados em consultas de rotina.

Abaixo estão os parâmetros de referência estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e pela American Diabetes Association (ADA):

Exame Laboratorial Normal Pré-diabetes Diabetes
Glicemia de Jejum (após 8 horas sem comer)  Abaixo de 100 mg/dL 100 a 125 mg/dL 126 mg/dL ou mais
Hemoglobina Glicada (HbA1c)  Abaixo de 5,7% 5,7% a 6,4% 6,5% ou mais
Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG): glicemia 2 horas após ingerir 75g de glicose)  Abaixo de 140 mg/dL 140 a 199 mg/dL 200 mg/dL ou mais

Nota: Para a confirmação do diagnóstico, o médico pode solicitar a repetição dos exames ou a combinação de mais de um teste laboratorial.

Sobre a hemoglobina glicada: ela mostra a média da glicose nos últimos 2 a 3 meses e não exige jejum. O resultado pode ser menos confiável em situações como anemia, algumas alterações da hemoglobina (como o traço falciforme), doença renal avançada e gestação. Nesses casos, o médico usa outros exames.

Pré-diabetes tem sintomas?

Na imensa maioria das vezes, o pré-diabetes é uma condição assintomática (silenciosa).

As alterações na glicemia costumam evoluir de forma lenta e não provocam os sintomas clássicos do diabetes avançado (como sede excessiva, urina frequente e perda de peso inexplicada).

Em alguns casos específicos, a resistência à insulina grave pode manifestar um sinal clínico na pele chamado acantose nigricans: o escurecimento e espessamento da pele em dobras do corpo, como pescoço, axilas e virilhas.

Por ser uma condição silenciosa, o rastreamento periódico com exames de sangue é a única forma segura de detecção precoce. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a American Diabetes Association (ADA) recomendam o rastreamento para todos os adultos a partir dos 35 anos e, antes dessa idade, para quem tem sobrepeso e pelo menos um outro fator de risco. Se os exames forem normais, a repetição é feita a cada 3 anos. Com pré-diabetes, a reavaliação costuma ser anual.

Principais fatores de risco

Qualquer pessoa pode desenvolver pré-diabetes, mas a probabilidade aumenta na presença dos seguintes fatores:

  • Sobrepeso ou obesidade (especialmente com acúmulo de gordura na região abdominal);
  • Sedentarismo e baixo nível de atividade física;
  • Histórico familiar de diabetes tipo 2 em parentes de primeiro grau (pais e irmãos);
  • Idade igual ou superior a 35 anos;
  • Pressão alta (hipertensão arterial) ou alterações no colesterol e triglicerídeos;
  • Histórico de diabetes gestacional;
  • Diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP);
  • Doença cardiovascular prévia, como infarto ou AVC;
  • Uso prolongado de alguns medicamentos, como corticoides e antipsicóticos.

Pré-diabetes é reversível? Como controlar e evitar a progressão

Sim, o pré-diabetes pode entrar em remissão. Em muitos casos, sim. A normalização dos níveis de glicose no sangue é plenamente possível, desde que haja mudança consistente no estilo de vida. Mudanças consistentes no estilo de vida podem normalizar os níveis de glicose no sangue e, mesmo quando os valores não voltam ao normal, reduzem de forma importante o risco de diabetes. No principal estudo sobre o tema, o Diabetes Prevention Program (DPP), a mudança de estilo de vida reduziu em 58% o risco de evolução para diabetes em cerca de 3 anos.

1. Alimentação equilibrada

Priorize alimentos in natura e minimamente processados, como orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira:

  • Aumente o consumo de fibras (legumes, verduras, aveia, sementes e grãos integrais), que desaceleram a absorção da glicose.
  • Reduza o consumo de carboidratos refinados (farinha branca, doces, refrigerantes e ultraprocessados).
  • Mantenha fontes de proteínas magras e gorduras boas em refeições fracionadas.
  • Mais importante do que o número de refeições é a qualidade do que se come.

2. Prática regular de atividades físicas

O exercício físico aumenta a sensibilidade das células à insulina, permitindo que a glicose seja captada pelos músculos mesmo sem grande quantidade do hormônio.

A recomendação geral é de pelo menos 150 minutos por semana de atividades aeróbicas moderadas (como caminhada rápida, bicicleta ou natação), distribuídos ao longo da semana, somados a exercícios de força (como musculação) 2 a 3 vezes por semana. Reduzir o tempo sentado também ajuda.

3. Perda de peso sustentável

Para pessoas com sobrepeso, a perda de 5% a 7% do peso corporal já é capaz de reduzir drasticamente o risco de evolução para o diabetes tipo 2. Essa foi a meta usada no estudo Diabetes Prevention Program (DPP).

4. Acompanhamento médico e medicamentoso

Em situações específicas de alto risco (como obesidade grau II/III ou histórico de diabetes gestacional), o médico pode associar mudanças no estilo de vida ao uso de medicamentos coadjuvantes.

5. Sono, cigarro e saúde do coração

Dormir mal, fumar e ter pressão ou colesterol descontrolados aumentam tanto o risco de diabetes quanto o de doenças cardiovasculares. Por isso, o cuidado do pré-diabetes inclui parar de fumar, cuidar do sono e acompanhar a pressão arterial e o colesterol com o seu médico.

Referências

American Diabetes Association Professional Practice Committee. Standards of Care in Diabetes—2026 (seções 2. Diagnosis and Classification of Diabetes; 3. Prevention or Delay of Diabetes and Associated Comorbidities). Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1).

Rodacki M, et al. Brazilian guideline for screening and diagnosis of type 2 diabetes: a position statement from the Brazilian Diabetes Society. Diabetol Metab Syndr. 2025;17(1):78.

Bergman M, et al. International Diabetes Federation Position Statement on the 1-hour post-load plasma glucose for the diagnosis of intermediate hyperglycaemia and type 2 diabetes. Diabetes Res Clin Pract. 2024;209:111589.

Vazquez Arreola E, et al. Prediabetes remission and cardiovascular morbidity and mortality: a post-hoc analysis from DPPOS and DaQingDPOS. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025. doi:10.1016/S2213-8587(25)00295-5.

Richter B, et al. Development of type 2 diabetes mellitus in people with intermediate hyperglycaemia. Cochrane Database Syst Rev. 2018;10:CD012661.

Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002;346(6):393-403.

Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

O que achou desse artigo?

Média: 4,46 / 334 votos

Time Alice
| Atualizado em
Tenha um plano de saúde empresarial que você pode contar

Tenha um plano de saúde empresarial que você pode contar

Peça um orçamento

empresas estão simulando

Escolha aqui seu plano ideal