Nós, seres humanos, buscamos teorias e crenças que tentem explicar os fenômenos à nossa volta. Não é diferente com a nossa saúde e o nosso bem-estar.
No entanto, algumas “certezas” médicas difundidas durante anos acabam sendo mentiras ou são informações desatualizadas.
São várias as origens dos mitos criados sobre a saúde, explica Stephanie Witzel, neuropsicóloga da Alice. Um deles estaria na própria Ciência: muitas vezes, o resultado de um estudo pequeno e restrito é amplificado pela mídia ou redes sociais e acaba sendo generalizado para toda a população.
“Na Ciência, a gente só consegue ter uma evidência robusta de que tal conclusão é realidade depois de muitos estudos, revisões sistemáticas e meta-análises muito maiores do que uma pesquisa isolada”, conclui Witzel, que faz um alerta para as pessoas terem um olhar mais crítico sobre as informações.
Aproveitando o Dia da Mentira, derrubamos cinco desses mitos.
1. “É necessário fazer check-up todo ano”
Os exames de rotina (check-ups) levam muitos adultos saudáveis para os consultórios médicos todos os anos. No entanto, algumas organizações internacionais, como a Choosing Wisely, que promove conversas entre médicos e pacientes, ajudando-os a escolher tratamentos baseados em evidência científica, e a US Preventive Task Force mostram que a prescrição de exames gerais de rotina em adultos assintomáticos e sem fatores de risco não reduz a mortalidade em geral por doença cardiovascular ou câncer.
Além disso, exames em excesso podem até causar danos à saúde, como explica Mario Ferretti, diretor médico da Alice.
Isso porque muitos podem causar complicações. Raio-x e tomografia computadorizada, por exemplo, possuem um efeito cumulativo e aumentam as chances de câncer por radiação.
Exame de sangue, por mais inofensivos que pareçam, também podem trazer complicações devido à punção venosa – em alguns casos, até demandam intervenções cirúrgicas posteriores.
Alguns exames radiológicos podem detectar incidentalomas, que são tumores geralmente benignos e, mesmo quando malignos, são de baixa agressividade, sem consequências para a saúde. A presença deles pode deixar as pessoas ansiosas e preocupadas, levando-as, muitas vezes, a mais exames ou até tratamentos desnecessários, que geram custos e encarecem o sistema de saúde.
2. “Quem cuida da saúde mental necessariamente tem algum transtorno”
Não. Todo mundo pode e deve cuidar da sua saúde mental, mesmo sem ter um diagnóstico de transtorno.
Esse cuidado pode ser preventivo ou em caso de sensação ou emoção recorrente que está atrapalhando sua vida, tirando seu sono e gerando sofrimento. Nesse caso é hora de parar e pedir ajuda, alerta Débora Paranhos, psicóloga cognitivo-comportamental da Alice.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) lista algumas dicas:
- Compartilhe seus sentimentos com alguém em quem você confia para ajudar a clarear as ideias e tornar o momento de crise mais leve;
- Cuide também da sua saúde física –atividades como corrida, yoga, dança, caminhada e até mesmo a jardinagem podem ser aliadas da saúde mental;
- Faça atividades de que você gosta, como cozinhar, brincar com seu pet e assistir a filmes e séries;
- Não use substâncias como drogas lícitas e ilícitas para lidar com o que você está sentindo;
- Pare e repare no mundo ao seu redor, como as coisas que você, o cheiro que sente e os sons que ouve.
“A pandemia da covid-19 veio para desmistificar essa visão de que só busca ajuda quem é fraco e não consegue lidar com suas questões sozinho”, diz Paranhos.
3. “É preciso dormir 8 horas por dia”
Mais importante do que a quantidade de horas é a qualidade do sono, explica Stephanie Witzel, neuropsicóloga da Alice.
Um adulto saudável dorme de sete a nove horas por noite, mas esse número é individual. O importante é ter um sono reparador, que deixe você descansado e disposto no dia seguinte.
“A cronobiologia, área que estuda o ciclo circadiano, estabelece o ‘curto dormidor’ e o ‘longo dormidor’. O curto dorme menos de sete horas e geralmente é uma pessoa matutina que acorda bem e descansada. Já o longo dorme mais de nove horas. É uma questão fisiológica, de perfil”, diz Witzel.
Porém, existem distúrbios que podem afetar esse padrão: “Uma pessoa com apneia do sono, por exemplo, pode dormir até 12 horas, mas, na verdade, ela passou a noite dormindo e acordando. Nesse caso, essas horas todas mostram que o sono dela é ruim, não está sendo suficientemente reparador”.
Um sono ruim pode causar ganho de peso, aumento do risco de doenças cardíacas, disfunções sexuais, além de lapsos de memória.
Ao longo da vida, destaca Witzel, o padrão do sono muda: quando somos bebês, acordamos e dormimos várias vezes por dia, totalizando um tempo muito maior. Adolescentes também precisam de mais horas na cama para o desenvolvimento do cérebro –e também costumam ir dormir e acordar mais tarde. Já os idosos tendem a ter uma demanda de sono menor.
4. “Para perder peso, basta fazer muito exercício aeróbico”
Quem quer emagrecer tem a ideia de que terá que passar horas suando a camisa em cima de uma bicicleta ou esteira na academia. Mas isso não é verdade.
Para perder peso e, consequentemente, ter uma vida mais saudável, a atividade física deve ser encarada como uma atitude de saúde.
“O principal impacto do exercício está relacionado a fatores externos à sessão de treinamento: controle de apetite, redução do estresse, melhora no padrão do sono, tudo que resulta na perda de peso”, explica Bruno Cerazi, preparador físico da Alice.
Mas ele reforça: quando feito com regularidade e consistência, todo exercício físico de intensidade moderada ou alta, seja ele aeróbio, funcional, HIIT (treinamento intervalado de alta intensidade) ou um treino de força clássico, vai aumentar o gasto calórico, melhorar a composição corporal e, consequentemente, trazer uma perda de peso.
“Faça um exercício no qual você se sinta confortável, respeitando os seus limites e que caiba na sua rotina, para manter a regularidade. Prefira atividades de intensidade moderada ou alta. Por fim, exercite-se com a maior frequência possível, cinco vezes por semana por pelo menos meia hora”, conclui.
5. “Chás têm o poder de emagrecer ou desintoxicar”
Nosso organismo já vem equipado com um órgão responsável pela desintoxicação: o fígado. Chás, sucos ou qualquer alimento que prometem o “detox” não servem para filtrar as toxinas, explica Rafaela Schmidt, nutricionista da Alice.
Muitas dessas bebidas (como o chá-verde, o chá-branco ou o de cavalinha) possuem cafeína, componente diurético que faz a gente urinar mais. Sendo assim, perdemos mais líquidos, dando a impressão de estarmos emagrecendo.
Schmidt alerta que, por mais que sejam naturais, esses chás não devem ser consumidos em excesso, pois têm efeitos colaterais, como:
- sobrecarga do fígado, que não passa a não conseguir mais “filtrar” os nutrientes e antioxidantes da bebida;
- desidratação, pois, se não bebermos água, estaremos perdendo líquido;
- redução na absorção de nutrientes. A cafeína do chá verde, por exemplo, pode impedir a absorção do ferro dos alimentos;
- alteração no sono com o excesso de cafeína.
A recomendação diária para um adulto saudável é de até 500mL (de qualquer tipo de chá).
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